Ícone de UsuárioProfissionais de Saúde
nelson pires

NELSON FERREIRA PIRES - Diretor geral da Jaba Recordati

Acompanhamento dos doentes 

Empresas de dispositivos médicos, entidades europeias, associações e representantes do ecossistema do empreendedorismo destacam a importância do acompanhamento dos doentes em tempo real, que só é possível graças a sistemas e softwares inovadores.

1. A pandemia acelerou efetivamente a inovação nesta indústria ou os avanços surgiram como uma inevitabilidade?

A indústria farmacêutica (IF) é a área da saúde que mais investe em I&D no mundo. Este foco na I&D não surge como consequência da pandemia, mas como missão da IF:

Acrescentar mais e melhor vida aos cidadãos e, em consequência, melhores resultados financeiros para as empresas e seus empregados.

A pandemia acelerou o processo de I&D em relação à Covid-19, devido ao elevado investimento de mais de 10 biliões de USD para I&D da vacina. Quanto à restante I&D, houve, provavelmente, algum atraso e desinvestimento, pois os recursos não são ilimitados. Portanto, a I&D Covid foi uma inevitabilidade, mas o seu resultado surgiu muito rápido fruto do conhecimento e investimento no desenvolvimento de outras vacinas no passado, mas também no desenvolvimento de novas plataformas.

Portugal tem uma dinâmica fantástica de I&D, mas tem de começar a desenvolvê-la, pois é um país com exemplos únicos: a empresa LXBio e a Technophage têm I&D de uma vacina para a Covid-19 em fase II, mas também é a primeira empresa a conseguir dois feitos na FDA com o seu medicamento biológico TP102: aprovar um estudo clínico (tratamento do pé diabético) e um “fast approval”, devido às expectativas elevadas de salvar vidas ou amputações, que pode conseguir.

Bem como o grupo “FHC - the future of healthcare”, que investe muito em várias áreas, inclusive na I&D de fabrico industrial de medicamentos.

 

2. Como é que a tecnologia está a apoiar os profissionais de saúde a serem mais eficientes no acompanhamento dos doentes?

O mundo será “Human with a digital touch”, em minha opinião. A tecnologia ajudou a estar perto dos doentes de forma remota, mas também a criar softwares de algoritmo de risco, para definir quem são os doentes com maior risco, por exemplo. Mas também nos meios de diagnóstico (com sensores corporais que medem a TA permanentemente), agendamento de contactos, integração da informação de saúde dos cidadãos e muitos outros.


Fonte: O Jornal Económico