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Viver bem após um enfarte e colocação de stent

Ter um enfarte agudo do miocárdio (também conhecido como ataque cardíaco) é um momento difícil. No entanto, com os cuidados certos, é possível recuperar e viver com qualidade!

A colocação de um stent — um pequeno tubo metálico que ajuda a manter a artéria aberta — é um passo importante para melhorar a circulação do sangue no coração. No entanto, o sucesso do tratamento depende também dos cuidados que tiver daí em diante.

Stent

Implantação de stent numa artéria coronária, como tratamento de um enfarte agudo do miocárdio

1. Tomar a medicação corretamente

Após o enfarte, é fundamental controlar os fatores de risco cardiovasculares, isto é, as doenças que, se não forem adequadamente controladas, aumentam o risco de ter um novo enfarte.

Entre estes, destaca-se:

  • O controlo da tensão arterial e ritmo do coração;
     
  • O controlo do colesterol, habitualmente com a toma regular de estatinas (o colesterol LDL, também conhecido como o “mau colesterol”, deve idealmente ficar abaixo dos 55 mg/dL1); se este se mantiver elevado, o seu médico pode receitar outros medicamentos, como o ezetimibe ou o ácido bempedóico;
     
  • O controlo dos triglicerídeos; se estes se mantiverem elevados apesar da toma de estatina, fale com o seu médico sobre opções terapêuticas que podem reduzir o seu risco cardiovascular (como o eicosapente de etilo, por exemplo);
     
  • O controlo dos níveis de açúcar no sangue (glicemia), sobretudo se tiver diabetes;
     
  • O controlo do peso, sobretudo se em excesso.

Depois da colocação do stent, é fundamental tomar todos os medicamentos conforme indicado pelo seu médico.

Entre outros efeitos, estes medicamentos servem para:

  • Evitar que o stent fique entupido (antiagregantes);
     
  • Evitar que volte a ter dor no peito (antianginosos, ou medicamentos como bloqueadores dos canais de cálcio).

Nunca pare de tomar os medicamentos sem falar com o seu Cardiologista. Mesmo que se sinta bem, o coração ainda precisa desse apoio. As doenças do coração são muitas vezes silenciosas, mas quando se fazem sentir, pode já ser tarde demais!

Não fume!

Não fume!

2. Não fume

Se fuma, este é o melhor momento para deixar de fumar. Fumar aumenta muito o risco de novo enfarte e dificulta o bom funcionamento do stent. De facto, deixar de fumar está associado a uma redução de 30-40% de risco de ter um novo enfarte!2

Mesmo um ou dois cigarros por dia podem ser prejudiciais.

Porque é tão importante deixar de fumar:

  • Diminui a tensão arterial ao fim de 20 minutos.3
  • Reduz rapidamente o risco de novo enfarte.
  • Diminui a probabilidade de o stent voltar a entupir.
  • Melhora o paladar e o olfato.
  • Aumenta a energia e a capacidade de exercício.
  • Diminui o risco de ter doenças pulmonares graves (como enfisema ou bronquite crónica) e diminui muito o risco de vários tipos de cancro, como do pulmão, estômago, rim, bexiga, entre tantos outros.

Vai também notar uma diferença na sua carteira: se fuma habitualmente 1 maço por dia, é expectável que poupe cerca de 155€ por mês, ou 1860€ por ano!

Dicas que podem ajudar:

  • Defina uma data para deixar de fumar e prepare-se para esse dia.
  • Evite situações que o façam querer fumar (como tomar café, consumir álcool ou pausas com fumadores).
  • Procure apoio médico: há medicamentos e substitutos da nicotina (pastilhas, pensos) que ajudam a controlar a vontade de fumar.
  • Procure apoio emocional: familiares, amigos ou grupos de cessação tabágica.
  • Se tiver uma recaída, não desanime. Cada tentativa é um passo mais perto de conseguir deixar de vez.

O benefício é imediato: 24 horas sem fumar já reduzem o esforço do coração. E quanto mais tempo ficar sem fumar, maior é a recuperação!

Não consuma bebidas alcoólicas!

Não consuma bebidas alcoólicas!

3. Reduza o consumo de álcool

Após um enfarte, é importante repensar o consumo de bebidas alcoólicas.

O álcool, mesmo em pequenas quantidades, pode interferir com os medicamentos que está a tomar, como os antiagregantes, aumentando o risco de hemorragia.

Além disso, o álcool pode: 

  • Aumentar a tensão arterial;
  • Dificultar o controlo do colesterol e da glicemia;
  • Contribuir para o aumento de peso;
  • Lesionar o fígado e prejudicar o sono;
  • Fragilizar o músculo do coração.

Assim, a recomendação geral é evitar qualquer consumo de álcool.

Se já tem o hábito de beber, converse com o seu Médico, de forma a orientá-lo sobre como reduzir e, idealmente, parar. Algumas pessoas conseguem deixar o álcool gradualmente, enquanto outras beneficiam de apoio psicológico ou de grupos de ajuda.

O seu coração recupera melhor num corpo livre de álcool.

Roda dos Alimentos recomendada pela Direção Geral de Saúde4

Roda dos Alimentos recomendada pela Direção Geral de Saúde4

4. Cuide do seu coração com uma alimentação saudável

A alimentação tem um papel muito importante na recuperação e na prevenção de novos problemas cardíacos.

Comer bem não significa comer pouco, mas sim fazer boas escolhas todos os dias.

O que deve privilegiar:

  • Frutas e legumes: ricos em vitaminas, fibras e antioxidantes, que protegem as artérias.
  • Cereais integrais: como pão integral, aveia, arroz e massa integral. Ajudam a controlar o colesterol e a glicemia.
  • Peixe, especialmente o peixe gordo (como salmão, sardinha, cavala): contém ómega-3, uma gordura “boa” para o coração.
  • Laticínios magros: leite, iogurte e queijos com baixo teor de gordura.
  • Azeite: use como principal gordura para temperar ou cozinhar.

 O que deve reduzir ou evitar:

  • Sal em excesso: contribui para a hipertensão arterial. Evite adicionar sal à comida e reduza o uso de caldos, sopas instantâneas e comidas prontas.
  • Carnes vermelhas e processadas: prefira frango, peru ou peixe. Evite enchidos, salsichas, bacon e fiambres.
  • Gorduras saturadas e fritos: substitua manteiga, natas e fritos por azeite ou cozidos no forno e grelhados.
  • Doces, refrigerantes e bolos: o açúcar em excesso aumenta o risco de diabetes e obesidade, e prejudica a recuperação do coração após o enfarte.
  • Produtos industrializados: costumam ter sal, açúcar e gorduras escondidas. Prefira alimentos frescos e caseiros.

Boas práticas no dia a dia:

  • Faça refeições regulares, evitando longos períodos em jejum.
  • Sirva-se de porções moderadas - coma até se sentir satisfeito, não cheio.
  • Beba água ao longo do dia, evitando sumos e refrigerantes.
  • Leia os rótulos dos alimentos e escolha opções com menos sal, açúcar e gordura.
  • Se possível, siga um padrão de alimentação mediterrânica — rica em legumes, peixe, azeite e fruta.

Uma alimentação saudável ajuda a:

  • Controlar o colesterol e a glicemia;
  • Manter um peso adequado;
  • Reduzir a tensão arterial;
  • Diminuir o risco de um novo enfarte.
Mantenha-se ativo

Mantenha-se ativo

5. Mantenha-se ativo

Depois do enfarte, o exercício físico é importante, mas deve ser feito de forma segura:

  • Nas primeiras 3 semanas, comece devagar, com caminhadas leves, conforme a orientação médica e a sua tolerância.
  • Evite esforços intensos logo no início.
  • Se sentir dor no peito, falta de ar ou cansaço extremo, pare e procure ajuda médica - ligue ao SNS 24 ou 112.

Se o seu Cardiologista lhe propuser, informe-se e participe em programas de reabilitação cardíaca, que ajudam na recuperação, melhoram a função cardíaca e ensinam a exercitar-se com segurança.

Cuide da mente

Cuide da mente

6. Controle o stress e cuide da mente

O enfarte pode trazer medo, ansiedade ou tristeza. Estes sentimentos são normais após o enfarte, mas não deixe que o deitem abaixo! Há muito por viver após um enfarte:

  • Evite conduzir durante o primeiro mês após o enfarte: a condução pode ser uma atividade muito stressante e, se tiver algum problema enquanto conduz, pode ter um acidente;
     
  • Procure momentos de descanso e relaxamento;
     
  • Pratique técnicas de respiração, meditação e atividades que lhe deem prazer;
     
  • Pratique uma boa higiene do sono: deite-se à mesma hora todos os dias, desligue os ecrãs cerca de 30 minutos antes de ir dormir, e durma cerca de 8h por noite;
     
  • Fale com familiares, amigos ou um psicólogo se sentir necessidade.
Previna-se

Previna-se

7. Previna-se

Além dos medicamentos, da alimentação equilibrada e da atividade física orientada, a vacinação desempenha um papel fundamental na proteção da sua saúde cardiovascular.

Doenças como a gripe e a pneumonia podem aumentar o risco de novos eventos cardíacos.

O seu médico pode sugerir-lhe algumas das seguintes vacinas:

  1. Vacina da gripe (influenza): deve ser administrada anualmente, de preferência antes do outono/inverno.
     
  2. Vacina pneumocócica: protege contra a pneumonia, meningite e infeções graves causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae. A vacinação é geralmente feita uma vez, com reforço conforme a idade e condições de saúde.
     
  3. Vacina contra a COVID-19: continua recomendada, pois a infeção também pode afetar o coração e agravar doenças cardiovasculares.
     
  4. Outras vacinas (como tétano, hepatite B ou herpes zóster) podem ser indicadas de acordo com a idade, historial médico e orientação do seu médico.

Lembre-se:

  • A vacinação é segura e eficaz, mesmo para quem toma medicamentos para o coração.
  • Evitar infeções é uma forma direta de proteger o seu coração.
  • Mantenha o Boletim de Vacinas atualizado e informe sempre o seu Cardiologista e Médico de Família sobre as vacinas recebidas.

8. Vigie a sua saúde regularmente

  • Vá às consultas de seguimento de Cardiologia e faça os exames pedidos.
  • Controle a tensão arterial, colesterol e glicemia.
  • Informe o médico sobre qualquer sintoma diferente (dor no peito, falta de ar, inchaço, tonturas).

 

9. Atenção aos sinais de alarme:

Se tiver algum dos seguintes sintomas, deve procurar de imediato ajuda médica, recorrendo ao Número Europeu de Emergência - 112:

  • Dor ou aperto no peito, sobretudo se idêntico à dor que teve durante o enfarte, que surja em repouso ou com esforços cada vez menores;
  • Falta de ar intensa e súbita;
  • Suores frios, náuseas ou tonturas súbitas ou com agravamento em poucos segundos ou minutos;
  • Desmaio ou palpitações fortes, sem qualquer aviso prévio. 

 

Em resumo:

Cuidar do seu coração é um compromisso para a vida.

Com medicação correta, alimentação equilibrada, exercício regular e hábitos saudáveis, e com a ajuda do seu Cardiologista e do seu Médico de Família, pode viver muitos anos com boa qualidade de vida — e o seu coração continuará a fazer o seu trabalho! 

 

João Pedro Faria
Interno de Formação Específica em Cardiologia
Unidade Local de Saúde de Braga

O conteúdo é da inteira responsabilidade do autor


Referências:

  1. Mach, F., Baigent, C. & Catapano, A. 2019 ESC/EAS Guidelines for themanagement of dyslipidaemias: lipid modification to reduce cardiovascular risk. Eur Heart J 41, 111–188 (2020).
  2. Byrne, R. A. et al. 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes. Eur Heart J 44, 3720–3826 (2023).
  3. InfoGraphic on What happens to your body if you stop smoking.
  4. Roda dos Alimentos • PNPAS.

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