Com o ano a começar, o tema só poderia ser tendências. Assim, na XV edição do Barómetro Human Resources questionámos o nosso painel de especialistas sobre quais acreditam que vão ser os grandes temas da Gestão de Pessoas em 2018 e vamos comprar as respostas com os resultados do ano passado. Quisemos também perceber quais as áreas sobre responsabilidade das direcções de Recursos Humanos que vão estar mais pressionadas pelo negócio e que influência irão os gestores de Pessoas assumir na empresa neste novo ano.

Outro tema em destaque, que se perspectiva que estará na ordem do dia nas empresas este ano, é a atracção e retenção de talento e também a intenção de investimento na formação com vista ao desenvolvimento dos colaboradores. Nesta edição ainda mantemos as três perguntas fixas, sobre evolução do emprego, número de colaboradores e salários, mas a partir da XVI edição iremos ter apenas uma, alterando-os trimestralmente.

O painel do Barómetro Human Resources conta com mais de 150 especialistas que, mensalmente, são desafiados a partilhar as suas perspectivas sobre temas na ordem do dia no que à Gestão de Pessoas diz respeito. São maioritariamente directores de Pessoas (75%), mas o painel conta também com presidentes/chief executives officers (10%) e directores de Marca/Comunicação e/ou Marketing (15%).

 

Talento versus digital

Começamos por desvendar já "Quais serão os grandes temas da Gestão de Pessoas em 2018", de acordo com o painel de especialistas do Barómetro Human Resources. Em primeiro lugar, surge destacada a "atracção e retenção de talento", com 49% das respostas. Em segundo, mas a uma distância de quase 20 pontos percentuais, considera-se que será a "adaptação de competências às novas tecnologias" o maior desafio em termos de Gestão de Pessoas (30%), seguido da "liderança de equipas" (27%). Curiosamente, a gestão e análise de hig data, a comunicação interna e a gestão de carreira são os menos referidos pelos especialistas, com uma percentagem de apenas 5% cada um.

Comparando com os.resultados aferidos o ano passado, nota-se uma inversão nos dois primeiros lugares. sendo que o digital foi considerado o maior desafio para 2017, com 72% das respostas, e o talento surgiu em segundo, com 46%.

Antevendo, com base na pulsação que frequentemente vamos tirando ao mercado, em conversa com especialistas da área, que a atracção e retenção de talento seria um dos principais desafios referidos, perguntámos ao painel se "a sua empresa planeia implementar medidas específicas e adicionais para a atracção e retenção de talento". A resposta é inequívoca, mas talvez não tão expressiva como seria de esperar, tendo em conta que é considerado pelos gestores de Pessoas como o maior desafio que terão de enfrentar no novo ano. 68% partilham que planeiam implementar "algumas" medidas adicionais, e só 5% referem que serão muitas as apostas neste âmbito, tantos corno aqueles que não planeiam implementar medida alguma. E 19% admitem que essas medidas ainda estão a ser analisadas.

 


A atracção e retenção de talento é vista pela maioria dos especialistas como aquele que será o grande tema da Gestão de Pessoas em 2018.


 

Visto que o desenvolvimento de carreira claramente não é visto como uma tema prioritário para 2018, não será de estranhar que quase metade do painel (46%) assuma que "a intenção de investimento na formação para o desenvolvimento dos colaboradores da sua empresa em 2018, face ao ano anterior" seja igual. Por outro lado, estando a adaptação de competências às novas tecnológicas em segundo no top dos principais desafios para os gestores de Pessoas, poderá ser preocupante. Não obstante, a maioria (49%) garante que esse investimento será maior. E ninguém pondera reduzir o investimento.

Quando questionados sobre "qual das áreas sobre responsabilidade da direcção de Recursos Humanos estará mais pressionada pela actividade da sua organização em 2018", a maioria afirmou que seria o recrutamento e selecção (35%). A cultura organizacional e corporativa (que ficou em 5.° lugar na primeira pergunta, sobre os grandes temas para a Gestão de Pessoas no novo ano), ocupa o segundo lugar (27%), e em terceiro surge o tema da compensação e benefícios (24%). Ninguém considera que a área jurídico-laboral será um "ponto de pressão".

 

Importância estratégica

Tal como no ano passado, quisemos também saber "qual a influência que irá assumir o gestor de Pessoas na estratégia do negócio em 2018". A esmagadora maioria do painel não tem dúvidas de que "muito elevada" (24%), resultando numa percentagem acumulada de 78%. Em relação ao ano passado, são resultados mais optimistas (48% consideraramque seria "elevada" e 20% que seria "muito elevada"). Este ano, 19% consideraram que a influência será apenas "razoável", menos 9 pontos percentuais que no ano passado (28%). Ninguém considerou que a influência será "nula" e apenas 3% acreditam que vai ser "reduzida".

Nas três perguntas fixas do Barómetro Human Resources, mais concretamente no que respeita à evolução do emprego em Portugal, não há novidades: a percentagem de especialistas que acredita que se irá registar um aumento de 0,1% a 3% volta a ser, como no mês passado, de 73%, sendo que 5% acreditam que o aumento será superior a 3%. Ninguém acredita que vai diminuir mais de 3%, mas 5% antevêem que haja uma diminuição entre 0,1 e 3%. Assim, verifica-se que 16% são de opinião que os números do emprego se irão manter em 2018.

 


Quase 80% dos inquiridos não têm dúvidas de que os gestores de pessoas terão uma influência elevada ou muito elevada na estratégia do negócio


 

Em relação à projecção para a evolução do número de colaboradores na empresa, mantém-se a tendência, com 57% dos inquiridos a defenderem que vai aumentar e 3% acreditam inclusive que esse aumento será superior a 5%. A percentagem de especialistas que constata que não irão existir alterações nesse âmbito é de 35%. Ninguém acredita que o número da equipa diminua mais de 5% e apenas 5% afirmam que vai diminuir.

Sobre a evolução dos salários reais na empresa, mantém-se igualmente a tendência positiva, e mais acentuada do que no mês anterior: 73% (mais doze pontos percentuais) acreditam que os salários vão aumentar entre 0,1 e 3%, mas nenhum especialista perspectiva que aumentem mais de 3%. Para 24% os salários manter-se-ão inalterados, e 3% antevêem urna diminuição entre 0,1 e 3%.

 


Mais de 70% dos especialistas do painel afirmam que os salários irão aumentar na empresa em 2018, entre 0,1 e 3%


 

No XVI Barómetro Human Resources, que publicaremos na edição de Fevereiro, o tema em destaque será a "guerra pelo talento".

 


 

Por: Ana Leonor Martins

Fonte: Human Resources Portugal | 01-01-2018