31 MAIO 2020

Qual a importância da vitamina D?

Há muito que são conhecidos os benefícios da vitamina D, cuja principal fonte para o organismo é a exposição solar. Mas este período de quarentena veio reacender a questão:

Afinal, por que tanto precisamos desta vitamina?

E como a podemos obter, mesmo em casa?

Com a maioria dos portugueses em casa desde meados de Março, como medida de prevenção do contágio da Covid-19, e ainda com a incerteza sobre quando será levantado o período de recolher obrigatório - apesar de termos entrado já na fase de desconfinamento gradual -, há alguns perigos para a saúde pública que importa serem abordados e debatidos. A falta de actividade física, com todas as suas consequências, será um dos mais evidentes, mas há um outro tema para o qual as autoridades e profissionais de saúde têm chamado a atenção: o défice de vitamina D.

Associada principalmente à manutenção da homeostase do cálcio no corpo, mas desempenhando outras importantes funções no organismo, a vitamina D é sobretudo produzida pela pele quando exposta ao sol - uma fonte alternativa é a dieta rica em vitamina D, contudo esta satisfaz apenas 20% das necessidades corporais. Assim, numa altura em que os níveis de exposição solar da maior parte da população baixaram significativamente, aumenta o risco de défice de vitamina D, que pode ter como consequências mais graves, no futuro, o desenvolvimento de raquitismo (que acontece nas crianças quando existe um defeito na mineralização da placa de crescimento) ou osteoporose (nos adultos).

Neste cenário, a suplementação surge como a principal alternativa para restabelecer os níveis de vitamina D no organismo, mesmo sem sair de casa.

«Considerando que a vitamina D é um nutriente essencial que o nosso corpo utiliza em muitos processos vitais e que cerca de 21,2% da população portuguesa tem níveis abaixo dos 10 nanogramas por mililitro (ng/ml), que corresponde a um risco de deficiência grave, os seus níveis adequados devem ser garantidos, especialmente em pessoas idosas e nestas circunstâncias actuais da Covid-19», alerta Thordis Berger, directora do Departamento Médico e de Assuntos Regulamentares da Jaba Recordati, sublinhando que «uma suplementação de vitamina D poderá ajudar a atingir este objectivo».

De acordo com a responsável, a suplementação de vitamina D «está longe de ser massificada» no mercado português, mas o actual contexto deverá servir para consciencializar a população para a sua importância. Contudo, adverte Thordis Berger, a toma desta vitamina deverá ser sempre uma decisão do médico - «existem critérios para a sua recomendação e a mesma deverá ser preconizada por um médico» - e nunca numa lógica de automedicação, pois apenas o «correcto doseamento de vitamina D, nos casos em que se justifica, terá impacto na diminuição de diversas patologias associadas à idade»

 

Afinal, o que é a vitamina D?

De uma maneira geral, a maioria da população está sensibilizada para a importância da vitamina D, associando-a sobretudo ao fortalecimento dos ossos. Contudo, esta vitamina apresenta outros benefícios para o corpo, talvez menos conhecidos do público em geral. «A vitamina D (ou colecalciferol) é, além de uma vitamina, uma pró-hormona esteróide que aumenta a expressão dos receptores da vitamina D (sobretudo no intestino delgado), receptores esses que regulam a absorção de cálcio e fósforo no intestino. Desta forma, tem como principal função manter a homeostase do cálcio, mas também lhe são atribuídas funções extra-ósseas importantes, graças à activação de receptores presentes em diversos sistemas, nomeadamente muscular, imunitário, cardiovascular e neurológico», explica Thordis Berger.

«Recentemente, foram também apresentadas revisões sistemáticas que concluem que a suplementação de vitamina D é segura e eficaz na prevenção de doenças no sistema imunológico e infecções respiratórias».

A directora do Departamento Médico e de Assuntos Regulamentares da Jaba Recordati deixa ainda a explicação científica sobre o modo como esta vitamina funciona e actua no organismo: «A vitamina D é convertida em 25-hidroxivitamina D (25-OHD, ou calcidiol) no fígado (esta é a forma circulante e a que se doseia no sangue). Por sua vez, a 25-OHD é convertida em 1,25- dihidroxivitamina D (1,25-OH2D, ou calcitriol) no rim (esta é a forma activa da hormona).» Segundo a responsável, «as concentrações séricas [quantidade de substância no sangue] de 25-OHD tendem a diminuir com a idade, principalmente pelo menos tempo passado no exterior e menor exposição ao sol». Por essa razão, é importante garantir níveis adequados de vitamina D em todos os segmentos da população, mas em especial em pessoas com mais de 65 anos a viver em unidades de internamento de cuidados continuados de longa duração e manutenção (superior a 90 dias), com exposição solar limitada.

 

E o óleo de fígado de bacalhau?

Antes de ser usual a toma de vitamina D através de suplementação, havia uma receita caseira que não era especialmente saborosa, mas que se tornou presença habitual na dieta de muitos portugueses (particularmente durante a infância) por ser uma fonte natural de vitamina D: o óleo de fígado de bacalhau. Um produto que «marcou uma geração que ficou avessa à toma de suplemento de vitamina D, porque associa sempre ao sabor desagradável do óleo de fígado de bacalhau e à obrigatoriedade que tinha em tomá-lo contra a sua vontade», afirma Paula Pereira da Silva, product manager da Jaba Recordati.

De acordo com a responsável, esta mesma geração continuou a dar as "gotas" de vitamina D aos seus filhos até ao primeiro ano de vida, seguindo as recomendações dos pediatras. Mas, depois, perdeu-se a tradição. «Depois disso, a vitamina D foi totalmente ignorada e só era tomada junto com suplementos vitamínicos, mas sem a percepção que se estava a tomar vitamina D, ou nos medicamentos à base de cálcio, prescritos sobretudo às mulheres em período pós-menopausa, devido ao risco de osteoporose», recorda.

No entanto, a partir de 2015, na sequência de diversos estudos científicos que evidenciavam os benefícios da vitamina D, foram surgindo no mercado português novas formulações desta vitamina, como, por exemplo, comprimidos de toma mensal. Nos últimos anos «tem-se investigado, de forma mais frequente e consistente, os níveis séricos de vitamina D (sobretudo nas populações de risco, como os idosos) e adoptado medidas preventivas do défice desta vitamina ou mesmo de tratamento, quando o doente apresenta défices muito significativos», reforça Paula Pereira da Silva.

De acordo com a Jaba Recordati, e citando as recomendações da Direcção-Geral da Saúde (DGS), há ainda outras medidas não farmacológicas que podem ajudar a prevenir a deficiência e a insuficiência de vitamina D, como a ingestão de ovos e peixes gordos (como sardinha e salmão) e a exposição solar moderada, tendo em consideração as medidas de prevenção das neoplasias da pele.

 


 

Fonte: Marketeer