01 JANEIRO 2017

O Conselheiro

HÁ ALGUM TEMPO ESCREVI UM PEQUENO ARTIGO DE OPINIÃO SOBRE O QUE PENSAVA DO MUNDO CORPORATIVO PORTUGUÊS EM 2016. FUI BASTANTE ASSERTIVO, POIS "CORPORACÃO" DERIVA DO LATIM, "CORPORIS E ACTIO-, CORPO E ACÇÃO (IN WIKIPEDIA)OU SEJA. UM GRUPO DE PESSOAS SUBMETIDAS ÀS MESMAS REGRAS E ESTATUTOS...
e olharmos para a estrutura base da palavra latina - referia eu -, diria que o mundo corporativo português, em 2016, passou por uma fase "Corporis", em que existiu - ou melhor subsistiu - e não agiu! Porquê? Essencialmente por falta de credibilidade.
Falta de credibilidade do nosso modelo político, do sistema bancário, do mundo empresarial, dos líderes com "pés de barro" que seguimos, das relações de poder entre países, do papel das instituições internacionais, por exemplo, na Síria, entre muitos outros exemplos. E este é, acima de tudo, um problema de credibilidade por falta de autenticidade, por falta de sermos e parecermos genuínos. A grande consequência é a desconfiança que gera e a imagem de falta de transparência.
A título de exemplo, vejamos a vitória de Trump nos EUA. Foi autêntico e transparente na sua forma de pensar e - podemos não concordar com ela e até não gostar do homem -, mas foi genuíno, autêntico e logo transparente para os eleitores americanos. Também temos alguns bons exemplos portugueses nesta lista: Cristiano Ronaldo venceu novamente a Bola de Ouro, António Guterres foi nomeado secretário-geral da ONU, apenas para dar dois bons exemplos do nosso País. E o mesmo que acontece com as pessoas acontece com os produtos que compramos no supermercado, as cidades como destino turístico, o seguro de saúde que compramos para "aquele dia de aflição", o tratamento para emagrecer que esperamos nos dê uma nova silhueta...
A autenticidade gera um maior ROI. E não é apenas utilidade de produto ou proeminência social quando se fala de orientar o comportamento de quem queremos influenciar, pois sabemos que 91% dos cidadãos valorizam a honestidade sobre os produtos e serviços, na sua opção de compra. E isso gera consumer engagement, e isso reflecte-se nos resultados. Senão
vejamos as cinco marcas mundiais mais autênticas do mundo que são também algumas das maiores do mundo em termos de resultado: McDonald`s, Samsung, Apple, Carrefour e KFC.
A autenticidade aparece assim como a característica daquilo que está de acordo com a verdade, que é legitimo, genuíno ou real. Contrasta assim com a dissimulação, falsidade, impostura e inautenticidade. E quando falamos de valores (como aqueles que estão associados a pessoas, ideias, produtos ou serviços) é fundamental ser e parecer autêntico, para ser considerado transparente! E não basta que se declarem como autênticos, mas sim que sejam autênticos e pareçam autênticos. Basta portanto de "Embromation"! ! ! Os eleitores, os clientes, os consumidores, os cidadãos, os utilizadores estão fartos disso.
Por outro lado, a autenticidade gera emoção e inspiração, criando ligações emocionais com pessoas, ideias, produtos ou serviços! Esta gestão de autenticidade cria um sistema de branding que permite criar associações positivas, consciencialização de valores e partilha dos mesmos. No longo prazo, a verdade e autenticidade são o elemento crucial para um branding verdadeiramente efectivo. Falamos aqui de consistência e regularidade, como elementos fundamentais.
E conseguimos distinguir as pessoas, ideias e produtos assim, pois são aqueles que têm valores, princípios e comportamentos bem definidos: uma auto-estima bem estruturada, não precisando da validação do ambiente externo; que falam pela sua própria cabeça, sabendo que a sua opinião conta; que sabem para onde vão e assumem responsabilidade pelo que fazem; que sabem congratular os outros pelos seus sucessos não os julgando, pois sabem que a perfeição é dificil de atingir; não têm medo do insucesso, pois este é apenas uma oportunidade para melhorar, sendo seguros e firmes; fazem o que dizem e dizem o que fazem, são sólidos e previsíveis; são felizes com o que são e têm não simulando sentimentos falsos; não querem agradar os outros, essa é uma consequência e não uma causa; não mentem nem escondem; não pretendem ser o que não são; vivem o momento e não no passado, sem esquecer os ensinamentos que este proporciona; decidem por si próprios e não deixam que os outros decidam por si, apesar de escutarem os outros; assumem as responsabilidades não transferindo as suas culpas para terceiros; não seguem conselhos sem antes avaliar a sua intuição; preferem valorizar experiências de vida a bens materiais; mantêm uma mente aberta a novas ideias e novos pontos de vista.
Conhece alguém ou algo assim? Se sim, estime-o e conserve-o bem, pois é algo único, genuíno, autêntico e transparente!!! 

Fonte : " Executive Digest " - 01/01/2017

Na sociedade da comunicação híper rápida e global as redes sociais determinam valores e comportamentos. A expansão das fake news dá que pensar, enquanto o medo e a incerteza instalam-se e ameaçam sociedades.

Terá a COVID-19 influenciado alterações do comportamento social, político e económico?

Há uma nova agenda das marcas? Muitas quiseram deixar a sua “marca”, virando-se para um propósito, defendendo ideologias e ganhando “corpo” e voz. Honestidade, consistência, cumprir promessas e assumir responsabilidades devem fazer parte do caminho das marcas com maturidade.

 

Rui Rijo Ferreira

Diretor de Marketing da Jaba Recordati

«A confiança numa marca é resultado de um comportamento consistente e repetido dessa mesma marca. A experiência do consumidor irá determinar o nível de confiança dessa marca, não só para esse cliente individual, mas para todos os que ele irá influenciar com a partilha da sua própria experiência. Numa marca que interfere com a saúde e o bem-estar do consumidor, como sucede com o medicamento, a Confiança é absolutamente um dos seus pilares estratégicos.

No caso do Medicamento de prescrição médica obrigatória, é o profissional de saúde que terá de ter confiança na marca que prescreve. No caso dos medicamentos de venda livre, as companhias têm de criar essa confiança no profissional de farmácia ou no consumidor final.

A marca é o nome do produto.

Tal como uma pessoa que oculta o nome não nos merece total confiança, também um produto que não tem marca não nos deveria merecer igual confiança. Infelizmente, vemos que por diversos interesses, uns claramente economicistas outros menos claros, a apologia dos medicamentos genéricos ou dos produtos de linha branca menospreza a importância da confiança na marca. É um facto que estes produtos não são iguais, mas sim similares, o que não é exatamente a mesma coisa.

Quando consumo um medicamento ou um outro produto de marca, como consumidor sei que todos os elementos que o compõem foram selecionados para que o resultado final esperado seja consistente e de acordo com as expectativas geradas. Se assim não for, a minha experiência vai ser negativa, mas saberei a quem reclamar e responsabilizar. Os danos para a marca poderão ser significativos.

Senão tiver marca, as consequências de uma experiência negativa não vão ter um nome. Os danos diretos no produto serão mínimos, por isso, naturalmente o respetivo produtor não tem o mesmo tipo de preocupações.

 


Fonte: Líder Magazine