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Sabia que o aumento de um ano de esperança de vida resulta em +6% do PIB e redução dos custos em saúde? 

 APIFARMA       

A APIFARMA diz que é necessário dinamizar a Indústria Farmacêutica, uma vez que esta gera emprego, exportações e investimento em inovação. 

A saúde em Portugal é vista como uma realidade singular que contribui decisivamente para o reforço da competitividade e da performance económica e social do país.

Diretamente, as atividades económicas da saúde empregam mais de 250 mil pessoas em Portugal, contribuem com exportações anuais superiores a 1,2 mil milhões de euros e envolvem mais de 6 mil pessoas ligadas à Investigação & Desenvolvimento (I&D) de inovação, das quais quase 3 mil são doutorados.

João Almeida Lopes, presidente da direção da APIFARMA, garante que existe margem para ampliar estes indicadores e as empresas farmacêuticas têm de continuar a realizar investimento em I&D.

"Defendemos a urgência em promover a saúde como área económica, dada a sua capacidade de gerar emprego, exportações e investimento em inovação em Portugal", assume o responsável.

Para tal, João Almeida Lopes diz que é essencial que o Ministério da Economia, enquanto responsável pela política industrial, contribua para esse desígnio, dinamizando e fortalecendo a capacidade produtiva e exportadora do país através da implementação de medidas de incentivo e facilitadoras de investimento.

As medidas que concorram para reforçar a atratividade e as capacidades científicas nacionais deverão igualmente ser implementadas.

"Consideramos que o país tem condições para reforçar o seu compromisso com a inovação, assumindo mais protagonismo internacional neste campo, por exemplo, através da área dos ensaios clínicos", refere João Almeida Lopes.

Existe ainda trabalho que o presidente da direção da APIFARMA diz merecer ser aprofundado relativamente à internacionalização das empresas nacionais, de modo a incentivar a inovação e a competitividade de Portugal e a preparar o sistema de saúde nacional a enfrentar os desafios que se colocam a todos os seus congéneres europeus.

Atualmente, a APIFARMA representa 119 empresas associadas, que em conjunto representam cerca de 80% do mercado nacional.

O mais paradigmático desafio que estas empresas enfrentam, garante João Almeida Lopes, é a crescente procura de cuidados de saúde, impulsionada pelo envelhecimento da população e aumento da prevalência de doenças crónicas, sendo por isso necessário que se trabalhe atempadamente para acomodar estas alterações demográficas sem sobressaltos.

"É essencial mudar de paradigma e olhar de outro prisma para a saúde, encarando-a como investimento nas pessoas, o bem mais essencial de qualquer sociedade ou país", assume este responsável.

Segundo ele, é urgente estancar e inverter o "subfinanciamento crónico do SNS, criar condições para o pagamento da dívida hospitalar às empresas e privilegiar o investimento em I&D, fator essencial para a inovação em saúde".

Em Março deste ano, a dívida dos hospitais públicos às empresas farmacêuticas totalizava cerca de 755 milhões de euros. 

 

João Almeida Lopes | Presidente da Direção da APIFARMA

João Almeida Lopes, Presidente da Direção da APIFARMA. 

 

Atraso no acesso à inovação 

Outro problema que o presidente da direção da APIFARMA destaca é o dos atrasos no acesso às tecnologias de saúde inovadoras, já que na sua opinião Portugal é um dos países da UE que mais tempo demora a decidir o financiamento dos medicamentos inovadores.

"Se não invertermos o acesso tardio e limitado à inovação terapêutica, corremos o risco de nos distanciarmos gradualmente da Europa em termos de resultados em saúde", alerta este especialista.

João Almeida Lopes diz que é chegado o momento, inadiável, de conceber uma lei de programação para a saúde em Portugal, que fomente um sistema centrado nas pessoas e na saúde e promova a coexistência entre o SNS e as organizações do setor privado, salvaguardando sempre o interesse público ao mesmo tempo que traz novos recursos e inovações ao sistema de saúde. Nelson Ferreira Pires, Diretor-Geral da Jaba Recordati, confirma isso mesmo.

O mercado nacional é interessante, mas com um peso diminuto, por exemplo, ao nível das multinacionais em termos gerais.

"Vemos muitas multinacionais a transferir o centro de decisão para Espanha, fruto do peso irrelevante do negócio, a falta de previsibilidade e instabilidade do mercado por decisões governamentais avulsas, a política de preços baixos, o atraso na aprovação de inovação, o atraso nos pagamentos", destaca o responsável.

Segundo ele, há um contexto competitivo que tem de ser criado e caberá aos governantes perceber que "têm de criar condições para manter os centros de decisão destas empresas em Portugal, com medidas estratégicas em relação ao medicamento e não avulsas como se tem visto".

O repto é também deixado pelo presidente da direção da  APIFARMA, que garante ter-se chegado ao momento de passar à ação.

"As populações ambicionam mais e melhores cuidados de saúde e esperam respostas claras sobre essa matéria, existem caminhos traçados, fruto de movimentos de debate e de partilha de sugestões, faltando que os demais agentes, nomeadamente os decisores políticos, cumpram as premissas que emanam do diálogo e dos acordos que temos recorrentemente firmado", sustenta o responsável.

Mercado não se resume a «blisters», bisnagas e ampolas

Entendimento com o Governo é possível...

A estabilidade legislativa que resultou do acordo entre a APIFARMA e o Governo foi de alguma forma um sopro de ar fresco para a indústria farmacêutica, ainda que esta tenha de devolver ao Estado cerca de 200 milhões de euros, num mercado que nos últimos anos perdeu 40% do seu volume.

"Com a assinatura deste compromisso, as empresas farmacêuticas procuram salvaguardar o acesso dos doentes aos medicamentos de que necessitam, promovendo a sustentabilidade e colaborando no financiamento do SNS, ao mesmo tempo que garantem alguma previsibilidade", sustenta o presidente da direção da APIFARMA.

Ainda assim, a indústria admite-se expetante com a incerteza em relação ao modo como funcionará o sistema de avaliação de tecnologias na saúde (SINAT) bem como quais as políticas do novo Governo entretanto indigitado, ou seja, se terá medidas estruturantes de racionalização de despesa ou mais uma vez será a indústria que suportará as ineficiências de todo o sistema.

 


 

in: Negócios - Negócios em Rede | 11-05-2016