A constante actualização e adaptação de conhecimentos são uma responsabilidade quer da companhia quer do próprio colaborador

Num mercado extremamente competitivo e em constante mudança como o farmacêutico, a formação e a aprendizagem têm que ser contínuas, flexíveis e com uma responsabilidade partilhada, defende em entrevista Ana Porfírio, directora de Recursos Humanos da Jaba Recordati.
Damos muita importância à formação de quem trabalha na Jaba pois é essencial para enfrentar e marcar posição num mercado extremamente competitivo e em constante mudança como o farmacêutico. Esta constante actualização e adaptação de conhecimentos, imperativos de forma a nos mantermos relevantes, são uma responsabilidade quer da companhia quer do próprio colaborador.
De forma a agregar a formação e o desenvolvimento profissional dos colaboradores a Jaba criou a Academia Recordati que incluí, programas de acolhimento aos novos colaboradores, programas formativos de ciclo das equipas comerciais, formação destinada ao management team, formação e desenvolvimento das competências Jaba Recordati e executive MBA. Toda esta formação é assegurada quer por formadores Jaba Recordati, quer através de empresas parceiras reconhecidas pelo mercado nos skills que pretendemos desenvolver.
Na verdade é um mix das duas. A Jaba Recordati tem definido um plano anual de formações de acordo com a área e a função dos profissionais. Adicionalmente reúne informação proveniente do sistema de gestão e avaliação de de- sempenho – 2GROW – e integra outras necessidades identificadas pelo próprio e/ou pela chefia directa.
Eu diria que é importante para a Jaba Recordati que os profissionais identifiquem e proponham a sua formação uma vez que para o fazerem tiveram que passar por um processo de auto análise e identificar as necessidades de melhoria ou reforço de alguma skill em que já são muito bons (isto porque entendemos que devemos continuar a investir naquilo em que as nossas pessoas já são muito boas e reconhecidas). Estas propostas são analisadas e aprovadas de acordo com a relevância que têm para a função e/ou para o seu plano de carreira.
Depende, na verdade, do plano de negócio para cada ano. Por exemplo, este ano temos feito lançamentos de novos produtos e prevemos entrar numa nova área com o lançamento de um novo pro- duto. Estes são motivos para que o foco da formação seja em matérias mais técnicas e científicas, por um lado, e na preparação e treino das nossas equipas comerciais, por outro.
A formação é a solução. No entanto esta formação assume diversas formas e durações de acordo com os temas e os objectivos a atingir. Dispomos de formação em sala, formação on the job com acompanhamento das nossas equipas no terreno, muitas actividades de role play, formação mais híbrida que compreende formação em sala, formação e-learning, auto-estudo e uma com- ponente prática e dilatada no tempo quando se pretende realmente alterar hábitos e comportamentos. Nestes casos fazemos um diagnóstico antes, durante e depois da intervenção. Quando necessário recorremos também ao coaching. Desenvolvemos também, sempre que consideramos relevante e necessária, formação pós-graduada em parceria com universidades.
Pretendemos ter profissionais preparados com um set de ferramentas e competências que lhes permita uma rá- pida resposta adaptativa às constantes alterações de mercado e que sejam reconhecidos por este mesmo mercado pela sua competência técnica em relação aos produtos que comercializamos.
No decorrer das três edições de formação pós-graduada que já disponibilizámos a um conjunto relevante de profississionais da Jaba, foram desenvolvidos projectos de negócio, de produtos e de práticas que foram posteriormente postos em prática com resultados muito positivos.
O maior desafio é, sem dúvida, o tempo. É necessário investir tempo para formar, aprender, experimentar, errar, corrigir e alterar hábitos e comportamentos. E nem sempre o negócio, as mudanças e os calendários são favoráveis a esta conciliação e investimento. Procuramos o mais possível apostar no on the job training mas nem sempre é suficiente e possível face às matérias a desenvolver que são identificadas.
Estamos este ano a apostar no desenvolvimento de competências core do grupo Recordati que nos permitirão reforçar a cultura da organização.
O perfil ideal será aquele que melhor consegue reflectir o set de competências que traduz a forma de estar e ser do grupo. Queremos trabalhar com pessoas responsáveis, capazes de comunicar de forma efectiva, com foco e orientação para resultados, capaz de trabalhar em equipa, com pró-actividade e com capacidade de liderar, executar e desenvolver outros.
Sem dúvida, as competências soft que são as que nos diferenciam enquanto pessoas e enquanto profissionais. No entanto, existe também uma grande necessidade de preparar os profissionais para esta evolutiva e inevitável forma de trabalhar e fazer negócio cada vez mais digital.
Sempre que possível procuramos definir um ROI [return on investment] para a formação de maneira a ser possível avaliar de forma o mais quantitativa possível os resultados da formação, no entanto nem sempre é possível.
A formação impacta no negócio na medida em que a companhia, tendo os seus profissionais actualizados e desenvolvidos nas matérias que se considerem as mais pertinentes e necessárias face aos objectivos definidos, estarão em condições de apresentar as melhores soluções e resultados com o objectivo de cumprimentos dos resultados de negó- cio a que nos propomos com maior grau de eficiência e eficácia. Obviamente que a formação não é um fim em si mesmo, é um instrumento, um facilitador ou capacitador que permite ao profissional chegar mais rápido onde se pretende e com o menor gasto de energia possível.
Temos como objectivo entrar numa nova área de negócio pelo que a formação e preparação de todos os intervenientes tem aqui um papel fundamental sendo um dos factores que contribuirá seguramente para o sucesso deste lançamento.
Este artigo foi publicado na edição de Junho da Human Resources.
Esta é a terceira vez que a Jaba Recordati marca presença no Índice da Excelência e as taxas de participação dos colaboradores têm sido bastante elevadas.