14 JANEIRO 2020

Hipertensão arterial na população portuguesa em férias

Prevalência da hipertensão arterial na população portuguesa em contexto de férias e abordagem multivariada dos fatores de risco através do método HJ-Biplot: estudo piloto

Ângela Pereira Serafim1, Ana Luísa Martins-Ferreira2, Maria Paula Serafim3, Gonçalo Oliveira4, Eleutério Pedro-Rocheta2, Nelson Pires5

 

Resumo

Objetivos: Avaliar a prevalência da hipertensão arterial (HTA) na população portuguesa em contexto de férias, assim como estudar a relação dos valores tensionais com fatores de risco através do método HJ-Biplot.

Tipo de estudo: Observacional, descritivo, do tipo transversal, com uma amostra não probabilística (por conveniência).

Local: Vilamoura.

População: Amostra de ambos os sexos com idade igual ou superior a 18 anos.

Métodos: A avaliação das pressões arteriais (PA) foi realizada em Vilamoura, de 30 de julho a 5 agosto de 2017, em dois locais distintos: Praia da Falésia e Marina de Vilamoura. Foram avaliadas cerca de 1.000 pessoas, provenientes de diferentes regiões do país. A medição da PA, em mmHg, foi realizada segundo os procedimentos das Guidelines for the Management of Arterial Hypertension. Foi considerada HTA se pressão arterial sistólica (PAS) > 140mmHg e/ou pressão arterial diastólica (PAD) > 90mm e/ou a fazer medicação anti-hipertensiva (das diferentes classes de anti-hipertensores). Foi aplicado um questionário em suporte informático com o objetivo de recolher parâmetros antropométricos, patologias associadas e hábitos e estilos de vida. Foi garantida a proteção e confidencialidade dos dados pessoais e de saúde.

Resultados: Os resultados mostraram que 33,3% da população estudada tinha HTA. De entre os indivíduos com HTA, 80,4% tinha conhecimento da sua situação de saúde e encontravam-se sob terapêutica médica anti-hipertensora, dos quais 68,6% apresentavam valores normais de TA. As diferenças observadas entre sexos e entre grupos etários na prevalência de HTA mostraram valores mais elevados no sexo masculino (M: 43,0% e F: 26,0%) e na faixa etária > 65 anos (76,2%).A interpretação multivariada (HJ-Biplot) permitiu reforçar o aumento da prevalência da HTA com alguns fatores de risco, nomeadamente o sexo, a idade, o Índice de Massa Corporal, comorbilidades (principalmente diabetes e dislipidemia) e estilo de vida, nomeadamente a atividade física e os hábitos tabágicos.

Conclusões: Os resultados do presente estudo sugerem, em comparação com outros estudos na população portuguesa e mundial, a existência de uma evolução positiva na redução da prevalência de HTA, acompanhada por um aumento do seu controlo, embora existam diferenças entre subgrupos populacionais, com fatores de risco inerentes.

Palavras-chave: Hipertensão arterial; Prevalência; População portuguesa; Análise multivariada; Fator de risco.

 


 

1. Universidade do Algarve, CIMA, Faculdade de Ciências e Tecnologia.
2. Hospital de Loulé. UCSP — Loulé.
3. Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais.
4. Universidade do Algarve. Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina. Faculdade de Ciências e Tecnologia.
5. Jaba Recordati S.A.

 


 

Introdução

A OCDE refere que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte nos Estados-membro da União Europeia, representando cerca de 36% das mortes em 2010. As doenças cardiovasculares abrangem diversas doenças relacionadas com o sistema circulatório, incluindo a doença isquémica cardíaca e as doenças cérebro-vasculares.

Foi realizado um estudo observacional, descritivo, do tipo transversal com uma amostra da população portuguesa, em período de férias de verão.

A avaliação das pressões arteriais (PA) foi realizada em Vilamoura durante um período de sete dias (30 de julho a 5 agosto de 2017) em dois locais distintos: (1) Praia daFalésia, de Vilamoura, das 9 às 19 horas; (2) Marina de Vilamoura, das 20 às 0 horas. Foram avaliadas cerca de 1.000 pessoas provenientes de diferentes regiões do país.

 


 

Ver estudo na íntegra em: Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar