20 FEVEREIRO 2017

Estará a investigação na saúde em risco?

Este ano, várias são as alterações que se perspectivam na indústria farmacêutica em Portugal, algumas das quais poderão mudar radicalmente a face do sector. Desde logo, a notícia, que caiu que nem uma "bomba" no seio da indústria. Logo a 6 de Janeiro, o Ministério da Saúde promulgou um decreto-lei em Diário da República (DL n.' 5/2017) que, no seu 9.° artigo, proíbe os estabelecimentos e serviços do Serviço Nacional de Saúde (SNS) de promoverem a angariação ou receberem directa ou indirectamente dinheiro por parte de empresas prestadoras de bens e serviços "que possam afectar ou vir a afectar a isenção e imparcialidade".

A medida, que entrou em vigor na passado dia 5, proíbe ainda as empresas que actuam em áreas como os medicamentos ou dispositivos médicos de patrocinarem acções de natureza científica - como sejam sessões informativas, congressos, acções de formação ou investigação científica - em hospitais ou outras entidades do SNS. Este é um dos pontos que tem gerado maior celeuma, contando já com diversas reacções, quer por parte da associação que representa a indústria farmacêutica, a Apifarma, quer por parte da própria comunidade médica.

O tema foi também debatido no mais recente pequeno-almoço da Marketeer com responsáveis da indústria farmacêutica. De acordo com os participantes, «esta é uma grande barreira que está a assustar toda a gente» do sector, sobretudo porque coloca «em risco» a investigação contínua dos médicos, ou não fosse a indústria farmacêutica o principal promotor (93%) de ensaios clínicos em Portugal.

 

Número de ensaios clínicos confirma recuperação

Após uma quebra acentuada entre 2009 e 2011, o número de ensaios clínicos (procedimentos de investigação e desenvolvimento de medicamentos) autorizados em Portugal tem vindo a recuperar. Em 2016, foram autorizados 142 ensaios clínicos, mais 58 do que em 2011 e apenas menos quatro em relação a 2008, segundo os dados divulgados recentemente pelo Núcleo de Estudos e Análise da Apifarma. A indústria farmacêutica foi a principal promotora (93%) destes estudos. A maioria dos ensaios clínicos realizados em 2016 incidiu na área terapêutica dos antineoplásicos e ímunomoduladores (40,8%), seguindo-se os fármacos para o sistema cardiovascular (11,3%), sistema nervoso central (9,9°6), anti-infecciosos (9,2%), sistema gastrointestinal e metabólico (7,7%), sistema músculo-esquelético (6,3%), sangue e hematopoiétícos (5,6%).

 

«Os investigadores, que pediam patrocínio às empresas [farmacêuticas] para projectos de investigação, vão deixar de poder fazê-lo. Não nos podemos esquecer que, na sua formação, os médicos internos têm que fazer muitos projectos de investigação, e a maior parte deles tinha o apoio da indústria farmacêutica», sublinham os responsáveis.

Para além disso, acrescentam, a nova lei coloca entraves à comunicação das empresas com a comunidade médica, uma vez que eventos como jornadas e reuniões científicas, até agora regulares, ou acabam ou terão que passar a ser feitos fora dos hospitais, o que coloca algumas barreiras logísticas. Ainda assim, os responsáveis mostraram-se «expectantes» de que o novo decreto-lei possa vir a ser reavaliado, ou que haja, no mínimo, um esclarecimento por parte do Ministério.

 

Rui Rijo Ferreira (Jaba Recordati) e Sofia Freire (Angelini)

Rui Rijo Ferreira (Jaba Recordati) e Sofia Freire (Angelini)

Luísa Silva (Sanofi) e Pedro Martins (Novartis)

Luísa Silva (Sanofi) e Pedro Martins (Novartis)

O VII pequeno-almoço da Marketeer com responsáveis da indústria farmacêutica decorreu no hotel The Vintage House, em Lisboa, e contou com a participação de Luísa Silva (Sanofi), Pedro Martins (Novartis), Rui Rijo Ferreira (Jaba Recordati) e Sofia Freire (Angelini), que aceitaram falar sobre as mais recentes transformações do sector. 

 

 

Compras centralizadas nos hospitais

Outro desafio que as empresas farmacêuticas terão que enfrentar este ano prende-se com o aumento das compras centralizadas de medicamentos por parte dos hospitais públicos. À semelhança do que já acontece no canal das farmácias, por exemplo, os hospitais públicos passarão, cada vez mais, a negociar a compra partilhada de grandes quantidades de medicamentos com as denominadas centrais de compras, com o intuito de reduzir as despesas do Estado.

O tema não é propriamente uma novidade, mas terá tendência para se acentuar este ano. «A nível hospitalar, começámos em 2016 a observar compras centralizadas para alguns grupos terapêuticos, ainda que de forma relativamente residual. Este ano, o Ministério da Saúde ambiciona que cerca de 80% do volume de utilização dos hospitais [públicos] seja via compra centralizada», afirmam os participantes. «Isto retira capacidade de negociação às empresas farmacêuticas. Enquanto antes conseguíamos ir ao hospital e fazer a nossa negociação, agora já não», lamentam.

Tendo em conta que os hospitais públicos respondem por cerca de metade das despesas totais com medicação - ainda que, em comparação com os privados, assumam geralmente as despesas dos medicamentos mais caros, em áreas terapêuticas como a oncologia -, este promete «ser um desafio» para o sector, sobretudo para as empresas que assentam o seu negócio no segmento hospitalar.

Concentração irá aumentar

O fenómeno das compras centralizadas a nível hospitalar não é exclusivo do mercado português, começando «a notar-se um pouco por toda a Europa», e pode vir a adensar o movimento de concentração do mercado farmacêutico, que se tem vindo a verificar nos últimos anos. Porquê? Porque ao perderem poder negociai. as empresas irão procurar, cada vez mais, especializar-se em determinadas áreas terapêuticas através de aquisições, joint-ventures e business swaps.

Um exemplo é a joint-venture mundial, firmada em 2015, entre a Novartis e a GlaxoSmithKline (GSK), no âmbito da qual a Novartis adquiriu o portefólio de oncologia da GSK, vendendo em contrapartida à congénere britânica a sua unidade de vacinas e portefólio de medicamentos não sujeitos a receita médica (Voltaren, Mebocaína, entre outras marcas). Já este ano, começou praticamente com as notícias de um business swap entre a Sanofi e a Boehringer Ingelheim (BI), no seguimento do qual a Sanofi recebeu o negócio de consumem healthcare da BI em troca pelo seu negócio de saúde animal.

Na opinião dos responsáveis presentes no debate da Marketeer, este tipo de negócios será cada vez mais normal - mais até do que as fusões. A concentração do mercado «não será tanto pela compra de grandes empresas, mas pela troca de negócios e compra de bio tecnológicas ou pequenas empresas de inovação». «Ao adquirirem startups, as grandes companhias aparecem como fornecedores exclusivos de certos medicamentos e, como tal, rompem um pouco com a compra centralizada», explicam os responsáveis.

OTC (e não só) continuarão a crescer

De acordo com os participantes no debate da Marketeer, as restrições que hoje existem no segmento dos medicamentos éticos (sujeitos a receita médica), deverão levar a que as companhias farmacêuticas, que têm no seu portefólio produtos OTC (medicamentos over-the-counter, ou não sujeitos a receita médica), reforcem, em 2017, a sua oferta nesta área. «Vai haver cada vez mais produtos OTC [no mercado], não porque haja um desvio do foco das empresas dos medicamentos por prescrição para os OTC, mas porque as empresas vão procurar passar alguns dos medicamentos éticos para essa área. Isto acontece porque a área OTC tem hoje um peso estratégico completamente diferente do que tinha há alguns anos», explicam os responsáveis.

«Este ano, o Ministério da Saúde ambiciona que cerca de do volume de utilização dos hospitais [públicos] seja via compra centralizada. Isto retira capacidade de negociação às empresas farmacêuticas. Enquanto antes conseguíamos ir ao hospital e fazer a nossa negociação, agora já não.»

Assiste-se também, em todo o mundo, à procura crescente, por parte dos consumidores, de outros produtos que não medicamentos, nas farmácias. É por isso, alertam, importante que as empresas farmacêuticas estejam atentas a oportunidades de alargamento de portefólio em categorias de crescente foco da farmácia, tais corno a Der=cosmética, Puericultura. Suplementos Alimentares, entre outras.

Essa aposta deve ser complementada com acções de recrutamento e fidelização de consumidores às marcas e à própria farmácia, como sejam activações no ponto de venda, nos grandes meios, na área digital ou eventos de experiência com as marcas. «Portefólios mais alargados garantirão menor dependência em cada área e permitirão uma maior abrangência de competências», concluem

Em tempos de incerteza, o sector da Saúde tem de estar coeso, articulado e tem de ser o primeiro a transmitir uma mensagem clara de confiança na retoma. A ideia foi defendida no mais recente pequeno-almoço debate do sector farmacêutico.

A segunda vaga da pandemia de Covid-19 chegou de rompante e tem obrigado os Governos europeus a tomarem medidas drásticas e imediatas para conter os efeitos sócio-económicos da crise. O Mundo está em suspenso à espera da vacina que tarda em chegar. Na linha da frente da investigação e combate à pandemia, a indústria farmacêutica tem de ser também a primeira a transmitir uma mensagem clara de confiança e segurança.

«Temos o dever de passar uma mensagem de confiança, de que a cadeia de abastecimento de medicamentos e produtos de saúde se mantém e está íntegra. Temos de transmitir a confiança de que o sistema de saúde está a funcionar e está coeso», dizem os participantes no mais recente pequeno-almoço debate do sector promovido pela Marketeer.

De acordo com os participantes, este esforço ao nível da comunicação e do discurso tem, de uma forma geral, sido encetado por parte de toda a indústria farmacêutica - e não apenas por parte das empresas que estão directamente envolvidas no desenvolvimento das vacinas - e de todos os organismos ligados à área da Saúde.

Têm-no feito sobretudo através do digital - um meio que não era tão explorado antes da pandemia - , que permite uma comunicação mais directa, concisa e com uma «cadência muito maior». «É fundamental para tentarmos que a confiança do consumidor não seja tão abalada», frisam.

Não obstante esse esforço, a verdade é que as notícias sobre o desenvolvimento e lançamento das vacinas «têm sido um pouco inconstantes e intermitentes», além de todas as fake news que adensam a névoa de dúvida sobre este tema. Nesse sentido, exige-se total transparência e coordenação por parte de todo o sector, sobretudo no que diz respeito aos timings das vacinas: «A mensagem tem de ser totalmente transparente acerca das fases em que estes processos estão. Porque se anunciarmos uma vacina para Janeiro de 2021 e chegarmos a essa data e não houver nada, o consumidor não vai perceber. Tem que haver muita transparência e coordenação na forma como se faz essa comunicação», reforçam os responsáveis.

À volta da mesa, corroboram-se as notícias que têm vindo a lume, ou seja, que as vacinas vão surgir «no início do próximo ano» e «praticamente todas ao mesmo tempo», porque actualmente as empresas farmacêuticas partilham muita informação e investigação entre si. E que vão fazer exactamente aquilo que está a ser descrito, ou seja, o vírus vai passar a ser endémico e «vamos aprender a viver com ele».

Manuel Barros (Generis), Rui Rijo Ferreira (Jaba Recordati), Sónia Ratinho (Laboratórios Azevedos) e Vera Grilo (Medinfar) foram os responsáveis que estiveram presentes no pequeno-almoço debate organizado pela Marketeer. O encontro decorreu no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa, cumprindo todas as regras de segurança e higiene.

 

Pandemia acelera digital

Uma consequência positiva e inevitável que a pandemia de Covid-19 trouxe para a Saúde é que permitiu acelerar a adopção de novas tecnologias no sector, desde avanços significativos na integração de Inteligência Artificial à desmaterialização das receitas nos hospitais, passando pelo desenvolvimento da área de home delivery - quer através das farmácias, quer da entrada dos players especializados nessa área.

No caso das empresas farmacêuticas representadas no pequeno-almoço debate da Marketeer, o digital tem permitido essencialmente fazer (dentro do possível) trabalho de acompanhamento com clientes, criar acções de formação, multiplicar os canais de vendas e comunicar com todos os stakeholders, desde o paciente ao profissional de saúde. Algumas das empresas, assumindo que estavam atrasadas no plano digital, estão a investir na contratação de pessoal especializado, inclusive recrutando, pela primeira vez, um Digital manager para os seus quadros.

Nesse sentido, a pandemia foi o «catalisador para o desenvolvimento do digital. Muitas empresas aceleraram o ritmo a que entravam nesta esfera, onde é obrigatório estar, porque é onde as pessoas estão», explanam os participantes no debate.

No plano da comunicação e marketing, o maior enfoque nas plataformas digitais exigiu um período de adaptação, até porque a comunicação tem de ser mais directa, focada em produto, e a cadência com que é possível passar informação também é muito maior. «No final do dia temos que comunicar produto. O nosso objectivo de comunicação é o mesmo, os meios para lá chegarmos é que são completamente diferentes. Se a equipa de Vendas chega a uma parte dos seus consumidores através do WhatsApp, a comunicação tem que ser adequada a esse meio, porque é muito diferente de uma literatura médica», explicam.

Também o tom de comunicação tem de ser adequado ao período em que vivemos, havendo agora uma comunicação (ainda) mais focada no consumidor e nas suas necessidades. Se uma determinada marca ou produto for lançado esta semana, há uma estratégia de comunicação e promoção, se for na próxima a estratégia já pode ter que ser completamente distinta. Ou não fossem os «planos de comunicação ajustados à semana!».

Na mesma medida, as plataformas digitais tornaram-se também, em muitos casos, a única forma para entrar em contacto com os profissionais de saúde, uma vez que, neste momento, os delegados de informação médica não podem sequer entrar dentro dos hospitais ou centros de saúde. Os webinars multiplicam-se - embora «nem todos tenham interesse» -, com a vantagem que permitem «baixar significativamente o custo por contacto». E não se pense que esta é uma solução provisória: o digital vai continuar a ser relevante, mas o aspecto relacional e presencial vai fazer sempre falta.

«O futuro não vai ser só digital, mas híbrido. Vamos ter delegados de informação médica, mas também estas ferramentas novas, nomeadamente a comunicação remota com o profissional de saúde», vaticinam os participantes.

Em suma, o que mudou na comunicação das empresas farmacêuticas foi «o tom, as mensagens, os meios e a necessidade de ser o mais genuíno possível. Esta é uma preocupação das marcas. Há um ciclo de mudança que temos de acompanhar», reiteram.

Regulamentação trava e-Commerce

Já no que diz respeito ao e-Commerce, a sua adaptação e implementação não têm sido tão céleres. Nesta área, as empresas representadas no debate estão em diferentes estágios de evolução ou têm abordagens distintas: algumas assumem não ter condições logísticas para lançar uma plataforma de e-Commerce própria e apostam noutras já existentes; outras há que estão a iniciar a venda directa. 

Independentemente disso, é opinião consensual que, na indústria farmacêutica, o e-Commerce não está tão desenvolvido como acontece noutros sectores.

E as razões são variadas. Desde logo, porque o tipo de produtos farmacêuticos, que são passíveis de ser comercializados online (como dermocosmética, suplementos ou dispositivos médicos), representa, regra geral, uma «minoria» das receitas das companhias, o que torna financeiramente inviável o lançamento de plataformas de e-Commerce próprias. Mas também porque não existe, neste sector, um marketplace que permita agregar, numa só plataforma, os produtos dos diferentes players do mercado.

«A indústria já despertou para essa necessidade, mas falta um parceiro na distribuição ou no retalho que faça uma plataforma com alguma dimensão e que nos permita estar lá presentes», lamentam.

Além disso, consideram que «há uma questão regulamentar que está na base e que acaba por ser um travão» ao e-Commerce. E este é um problema que se acentuou com a crise sanitária: quando o País entrou em estado de emergência, em Março passado, e para colmatar as necessidades da população em confinamento, empresas de home delivery, como a Glovo ou a Uber, começaram a fazer entregas de medicamentos ao domicílio.

No entanto, «esta é uma situação completamente irregular, porque estas empresas não podem fazer esse tipo de transporte», alertam os participantes no debate. Porquê? Porque, de acordo com as normas de segurança para o transporte de medicamentos, a entrega deste tipo de produto tem sempre de ser feita por um profissional de saúde - mesmo no caso dos medicamentos não sujeitos a receita.

Segundo os responsáveis, esta é uma matéria que precisa de ser regulada e legislada, sendo que tem havido pressão por parte da Apifarma - Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica para que o regulador (o Infarmed) possa adoptar legislação específica em relação ao marketing digital. «Até há pouco tempo isto estava um bocado nas áreas cinzentas, mas agora, cada vez mais, começa a ser olhado "com olhos de ver" pelas entidades competentes, porque há essa necessidade. Acreditamos que se vai desbloquear cada vez mais rapidamente o acesso ao medicamento, quer sujeito a receita médica, quer não sujeito», frisam.

Não obstante, isto não significa que a própria indústria não tenha "culpas no cartório" no que toca ao escasso desenvolvimento do e-Commerce e de toda a envolvente digital. Antes pelo contrário: a própria indústria sempre ofereceu resistência a essa evolução digital. «A indústria é muito conservadora e nunca teve a necessidade de dar este salto. Sempre se habituou a apostar nos mesmos canais, porque a coisa funcionava», dizem os responsáveis ouvidos pela Marketeer. «O sector estava completamente adormecido por inércia. Estava acomodado», reiteram.

 

Retoma em 2021?

Com o aproximar do fim do ano, os responsáveis presentes no pequeno-almoço debate promovido pela Marketeer fizeram também um balanço do ano e arriscaram algumas previsões que, face ao contexto actual, não são muito favoráveis, ainda que não sejam tão catastróficas, quando comparadas com outros sectores de actividade. Algumas companhias esperam uma quebra de cerca de 5% das receitas em 2020, sendo que algumas áreas serão mais afectadas do que outras. Por exemplo, na área das doenças crónicas, «a quebra é pouco significativa», mas no mercado de consumer health pode chegar a -20%.

Também a área da inovação tem sido afectada, o que não ajuda a colmatar os prejuízos. Alguns players lançaram recentemente novos produtos no mercado, mas, no caso dos genéricos, por exemplo, como não há novas consultas, não há nova prescrição. Mesmo alguns produtos lançados no final do ano passado ainda não tiveram o crescimento previsto por essa mesma razão.

Para o Inverno, os participantes não prevêem um crescimento de vendas semelhante ao que houve em Março e Abril, quando os portugueses correram às farmácias para reporem o stock de medicamentos em casa. Nos próximos meses até poderá haver nova stockagem de medicamentos nalgumas categorias, «mas não vai ser com o mesmo volume».

Quanto a 2021, as previsões são ainda mais difíceis de fazer, porque mesmo que seja lançada no início do ano uma vacina para combater a Covid-19, não é linear que haja um impacto directo imediato sobre o consumo ou a confiança dos consumidores.

«Do ponto de vista da segurança e da confiança, o factor vacina poderá reflectir-se eventualmente no segundo semestre do ano. Isto porque se aparecer uma vacina em Janeiro, não vamos conseguir vacinar toda a gente no primeiro semestre! 2021 vai ser um ano muito incerto ainda», concluem.

 


 

Fonte: Marketeer