É a disfunção sexual masculina mais prevalente e mais frequente e a que tem menos procura de serviços de saúde. No entanto hoje existem várias soluções terapêuticas para o problema da ejaculação precoce.


 

"A ejaculação prematura é a disfunção sexual masculina mais prevalente e mais frequente, mas infelizmente é das que promove menor procura de serviços de saúde, o que é de alguma forma um contra-senso.

É estranho que uma patologia tão frequente, cerca de 20% da população masculina, e só um em cada dez homens procura ajuda especializada" considera Nuno Tomada, professor no Hospital de São João no Porto.

Acrescenta que "pode não ser verdadeiramente uma doença, no sentido clássico, mas afeta homens e interfere muito na qualidade de vida". Mas "neste momento temos várias soluções para o problema da ejaculação precoce" refere Nuno Tomada.

As causas para a resistência para procurar encontrar ajuda e tratamento tem a ver com vários grandes fatores. Por um lado, ainda existe algum tabu pessoal e social em relação a problemas de foro sexual. Por outro lado, o médico, o profissional de saúde que está assoberbado de trabalho, não tem disponibilidade para abordar um problema que é realmente muito complexo, que envolve muitas variáveis e que consome muito tempo de consulta.

Por isso, para Pedro Vendeira, presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia, Medicina Sexual e Reprodução, a ejaculação prematura "é subdiagnosticada", porque há também ignorância sobre as possibilidades de apoio, por se considerar que é uma situação psicológica e que não tem solução, ou que que tem a ver com a idade e que não há nada a fazer, tal como acontecia, anteriormente, com a disfunção eréctil.

 


O Think Tank "Saúde do Homem Ejaculação Prematura" foi organizado pela Jaba Recordati e pela revista Sábado e contou com a presença de Carla Veiga Rodrigues, médica interna no Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de São Neutel em Chaves. José Dias, urologista no Hospital Santa Maria, Júlio Machado Vaz, vice-presidente da Sociedade de Sexologia Clínica, Maria do Céu Santo, ginecologista no Hospital Santa Maria. Nuno Tomada, Urologista na Clínica do Dragão da Saúde Atlântica, e Thordis Berger, Directora Médica e dos Assuntos Regulamentares da Jaba Recordati. O debate foi moderado por Andreia Vale, jornalista da Cofina Media, e Pedro Vendeira, presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia, Medicina Sexual e Reprodução, e realizou-se a 28 de Fevereiro no Hotel Tivoli Lisboa.


 

A dificuldade em pedir ajuda e tratamento

O que é que o homem com ejaculação prematura sente antes de ir e quando decide procurar ajuda? "A percentagem dos que procuram ajuda é muito baixa, andará por volta dos 10%. Mas o problema não fica no quarto e tem impacto na sociedade. "Os estudos dizem que as doenças ansiosas e depressivas são mais vulgares nos homens que têm ejaculação prematura, e são uma consequência desta" refere Júlio Machado Vaz, vice-presidente da Sociedade de Sexologia Clínica. Por sua vez, Maria do Céu Santo, ginecologista no Hospital de Santa Maria, acentua que "se a pessoa está mal afetiva e sexualmente a parte profissional também se ressente".

"Os homens entre si nunca falam da verdadeira realidade. As mulheres são mais realistas, ou mais púdicas, a falarem das suas experiências e às vezes não dizem tudo. Por exemplo não gostam de admitir que têm práticas sexuais diferentes e não admitem que se masturbam" exemplifica Carla Veiga Rodrigues, médica interna na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de São Neutel em Chaves.

 


Júlio Machado Vaz

"A conceção de prazer na mulher é mais lata do que a do homem. No homem, uma relação que não acabe em orgasmo é sempre uma frustração..." Júlio Machado Vaz


 

Mulheres mais agressivas

"Faço clínica há quarenta anos, e nessa altura não via o número de homens a pedir ajuda pela ejaculação prematura que recebo hoje.

Mas dos que eu recebo há uma percentagem, que não é maioritária, que vem de motu próprio. Há os que vêm por sugestão da companheira e outros por ultimato: "isto não pode continuar assim, há maneiras de resolver as coisas, portanto escolhe" refere Júlio Machado Vaz.

"Quando comparamos as companheiras dos homens que vêm com disfunção eréctil com as companheiras dos homens que vêm com ejaculação prematura, estas vêm multo mais agressivas, menos disponíveis para colaborar em qualquer técnica de tratamento. Porque no primeiro caso consideram que está doente e no segundo caso o discurso é quase sempre "há cinco anos que lhe peço que faça qualquer coisa e só se preocupa com ele", afirma o professor jubilado do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar no Porto.

Pedro Vendeira refere que na sua "prática clínica quando a queixa é disfunção eréctil é mais frequente vir o casal porque a mulher muitas vezes se culpa. Quando é a ejaculação prematura vem sozinho porque ela está tão aborrecida que não quer fazer má figura diante do médico. O homem, neste caso, tem uma ansiedade muito maior".

 


Pedro Vendeira | Presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia, Medicina Sexual e Reprodução    

Tratar a ejaculação prematura é um bem que se faz à sociedade, ao indivíduo, ao casal.

Pedro Vendeira


 

Menos qualidade de vida pessoal e social

A ejaculação prematura diminui a qualidade de vida do homem e afeta a relação do casal: 44% dos homens afetados pela disfunção referem frustração, 36% ansiedade e 20,4% depressão. Metade dos homens afetados por ejaculação prematura (face a 34% dos homens não afetados) acredita que a relação com a sua parceira seria mais intensa se a conseguissem satisfazer sexualmente. Como José Dias, urologista do Hospital de Santa Maria, adianta "do ponto de vista pessoal, de autoestima, ansiedade, muitas vezes contribui para o problema, mas também o amplia, e tudo isto tem reflexos ao nível pessoal, laboral".

Nuno Tomada, professor na Faculdade de Medicina do Porto e Urologista na Clínica do Dragão da Saúde Atlântica, refere que os doentes chegam à consulta muito confusos e é muito difícil de destrinçar. "O primeiro passo é perceber o problema, porque muitas vezes não sabem verbalizar o problema. E a primeira ação é tentar comunicar com eles para perceber-se é disfunção eréctil, se a libido, se é ejaculação prematura, se é rápida, se retardada, se é dolorosa". Acrescenta que "as pessoas confundem muito as definições, estão mal informadas e isso acontece mesmo com médicos".

 

Atinge todas as idades

"Já tive pacientes jovens com problemas nas primeiras relações até pessoas com 6o, 65 anos em busca de ajuda. Tive um caso de uma pessoa de 68 anos que tinha problemas de EP desde a primeira relação, sempre com a mesma parceira. Admirou-me como é que uma pessoa consegue viver com este problema tantos anos e o que é que o traz a uma consulta passado tanto tempo? Foi a pressão da parceira que até não tinha feito pressão porque provavelmente estaria mais informada" conta Nuno Tomada.

A ejaculação prematura é muito estável ao longo das idades, não prevalece mais nos homens de idades mais avançadas nem nos mais jovens e as causas vão mudando ao longo do tempo. "Os estudos dizem que há uma grande estabilidade da ejaculação prematura ao longo das idades, as causas é que são diferentes", referindo que a ejaculação prematura secundária pode ser causada por inflamação prostática, disfunções tiroideias, problemas da disfunção eréctil, obesidade e que vêm com o tempo, "portanto à medida que desce a primária vamos subindo na secundária e por isso é que mantemos uma linha estável".

 

 

 

NOVO PRODUTO POSE SER UM NOVO AMANHÃ


A Jaba Recordati lançou um fármaco para a ejaculação prematura que é tópico, rápido, que pode ser utilizado mesmo no momento, não sendo necessária qualquer antecipação nem programação.


 

"Com este produto vai haver um novo amanhã para estes homens e casais porque, desde que não seja oral, pois as pessoas ainda têm alguma resistência em tomar medicação oral", diz Maria do Céu Santo, ginecologista no Hospital de Santa Maria.

"Quando é creme local colocam, não mostram qualquer resistência". Tanto mais que, como refere Pedro Venteira, "no que se refere à ejaculação prematura, o que está mais ou menos determinado, é que só 10% dos doentes é que procuram ajuda e 8o% desses não ficam satisfeitos com as opções terapêuticas". Por isso, Thordis Berger, Diretora Médica e dos Assuntos Regulamentares da Jaba Recordati, diz que "este novo medicamento vem responder a uma necessidade para a qual não existia até agora uma opção terapêutica que fosse pelo menos satisfatória". Segundo a Diretora Médica dos Assuntos Regulamentares da Jaba Recordati, estas moléculas "foram testadas em ensaios clínicos para este fim específico.

Existem outras opções, mas são utilizados off label, o que significa que as moléculas e o medicamento foram testados em ensaios clínicos para outros fins". Por isso, "ter agora um novo medicamento que é realmente indicado para este fim oferece mais segurança porque é aprovado mesmo para esta indicação e utilização especificas. Depois são componentes que já são conhecidos em outras áreas da medicina, e que não são necessariamente da urologia ou da ginecologia ou da medicina interna, mas são comprovadamente muito eficazes".

Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia, Medicina Sexual e Reprodução, Pedro Vendeira, "o que se passou com a disfunção eréctil pode ser transposto para a EP porque temos mais anos de diagnóstico e de tratamento da disfunção eréctil, e podemos transportar para a EP.

Porque se é verdade que estamos longe de tratar todos os homens que têm disfunção eréctil, também é verdade que estamos muito melhor do que estávamos há 10 ou 15 anos".

 


Thordis Berger  | Directora Médica e dos Assuntos Regulamentares da Jaba Recordati    

O novo medicamento é uma aplicação que é tópica, rápida, que pode ser utilizada mesmo no momento, não é necessária qualquer antecipação nem programação.

Thordis Berger


 

Alternativa às opções terapêuticas

"Os doentes podem ter expectativas que são irrealistas, mas até que ponto é que as terapêuticas oferecidas são tão eficazes como aquelas que oferecemos para disfunção eréctil" interrogava-se Júlio Machado Vaz. Para Nuno Tomada, professor na Faculdade de Medicina do Porto e Urologista na Clínica do Dragão de Saúde Atlântica, "a grande barreira e que é transversal a todos os doentes é: 'e vou ter de fazer isso para sempre?'. Não perguntam se é eficaz". O que é corroborado por José Dias, urologista do Hospital de Santa Maria, "estes doentes quando vão à consulta querem ser curados e não apenas tratados e medicados porque a sua expectativa é que não seja uma doença crónica". Segundo Pedro Vendeira, é "cultural porque se for um homem diabético já sabe que vai tomar os comprimidos para o resto da vida, se for hipertenso também, e não coloca essa questão".

O novo medicamento "é uma aplicação que é tópica, rápida, que pode ser utilizada mesmo no momento, não é necessária qualquer antecipação nem programação.

Vai de encontro a um leque terapêutico que até agora não conseguia responder a estas necessidades", considerou Thordis Berger. "Fiquei contente por ter mais uma ferramenta para utilizar com os nossos doentes, que me parece com poucos efeitos secundários e que vai ter uma grande adesão porque é uma solução tópica" referiu Maria do Céu Santo.

Por sua vez, Nuno Tomada vê "com bons olhos uma opção terapêutica tópica com qualidade, que seja fácil de usar e que não tenha os inconvenientes referidos em vários estudos”.

 


Educação sexual ao longo da vida

"Quando é que se ouve falar de educação sexual para idosos?" perguntava-se Júlio Machado Vai vice-presidente da Sociedade de Sexologia Clínica. Por sua vez Pedro Vendeira, presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia, Medicina Sexual e Reprodução, dizia que "quando se fala de educação sexual pensa-se que é para os filhos durante a escola", mas sublinhava que a educação sexual é uma aprendizagem continua e, à medida que se envelhece, as necessidades de educação sexual alteram-se. Porque o corpo se modifica ao longo do tempo e as questões também são diferentes. "Por exemplo, a lubrificação na mulher que não é importante na Juventude, mas à medida que idade avança se torna relevante".

Para Carla Veiga Rodrigues, médica interna no Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de São Neutel em Chaves, 'os médicos de família podem ter um papel importante na disseminação deste conhecimento".


 

OS EFEITOS PESSOAIS E SOCIAIS DA EJACULAÇÃO PREMATURA


A definição coloca a questão do tempo, chama a atenção para a dificuldade em conseguir prolongar a relação e para o stress intrapessoal.


 

"A ejaculação prematura é uma disfunção sexual masculina caracterizada pela ejaculação que ocorre geralmente ou sempre antes da penetração vaginal ou até um minuto após, associada à incapacidade de retardar esta ejaculação, gerando consequências pessoais, como incómodo, angústia, frustração e aversão à intimidade sexual" é a definição da Sociedade Internacional de Medicina Sexual (International Society for Sexual Medicine). A definição compila muitos outros aspetos, nomeadamente a questão da perceção ejaculatória ou da falta de controle sobre a mesma, mas adianta medidas biológicas, medidas em relação ao stress pessoal" refere Pedro Vendeira, presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia, Medicina Sexual e Reprodução.

Para José Dias, urologista do Hospital de Santa Maria, "o conceito temporal parece inerente, mas as duas outras nuances da nova definição são mais importantes e que são a dificuldade de controlo e, mais do que isso, o desconforto, a angústia, o stress, como utilizado na própria definição, ou seja, os problemas que gera para o próprio e para os/as parceiros/as”.

 

O tempo é discutível

Pedro Vendeira considera que esta definição não é muito "conclusiva nem muito agradável". Tal como a definição clássica de disfunção eréctil nunca foi do agrado dos médicos e sexólogos. "A definição coloca a questão do tempo, chama a atenção para a dificuldade para conseguir prolongar a relação e também o stress intrapessoal. Isto não é 'ou, ou' mas 'e, e'.

A mais-valia desta definição é que vai diferenciar o que é apenas uma situação do que é uma doença e se cria stress interpessoal". Acrescenta "é isto que vai definir se é necessário tratar ou não. Porque se a ejaculação for de dois segundos e o homem tiver um sorriso nos lábios e os parceiros também onde está a doença?

O que é definição de doença da OMS? É uma situação de mal-estar, de ausência de saúde".

Nuno Tomada, professor no Hospital de São João no Porto, coloca a questão de o casal ser síncrono. Encontra-se na parte da clínica casos em que dizem: "tenho ejaculação muito rápida porque demoro três, cinco ou to minutos".

Nós dizemos "por amor de Deus, isso é normal, está na média, "mas para ele é um problema".

Adianta que prefere a abordagem do casal "para perceber se eles funcionam bem, porque se a mulher tiver um orgasmo em um ou dois minutos e for bom para os dois para quê criar um problema?!". Júlio Machado Vaz, vice-presidente da Sociedade de Sexologia Clínica, diz que "talvez nunca se chegue a uma definição consensual, mas a insatisfação individual ou do casal são incontornáveis. Se os parceiros estão satisfeitos, se não há sofrimento, onde está a disfunção?". Mas acentua que este sofrimento intrapessoal tem efeitos sociais.

 


José Dias  | Urologista no Hospital Santa Maria    

A ejaculação prematura tem um grande impacto na qualidade de vida das pessoas e as pessoas devem procurar ajuda para algo que lhes é desconfortável e que perturba o bem-estar.

José Dias


 


Pedro Vendeira | Presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia

Pedro Vendeira, presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia, referiu que um estudo mostrava que as pessoas gostariam que o seu médico de família abordasse a sua vida sexual.


 

MÉDICOS DE FAMÍLIA TÊM DE OLHAR PARA A SEXUALIDADE


Os problemas sexuais podem ser o sinal de outras doenças mais graves. Mas mesmo quando não são, a sua solução melhora a qualidade de vida e a saúde das pessoas.


 

Carla Veiga Rodrigues é interna de medicina geral e familiar num centro de saúde de Chaves e está a completar a sua especialização. Diz que na sua experiência clínica tem "o casal jovem em que o parceiro que tem EP e se preocupa com o prazer da mulher e faz tudo para lhe agradar até as pessoas envergonhadas com a parceira ao lado aborrecida". Nota que há uma maior procura para os problemas de foro sexual. Acrescenta que se não for ela a "perguntar ou tocar no assunto muitos não seriam capazes de dizer que têm um problema sexual. As pessoas não falavam e eu digo-lhes que é um problema de saúde e que é um sítio seguro para solicitar ajuda".

Fez formação na área da sexologia e com esta preocupação passou a detetar uma disfunção sexual por dia. E a experiência diz-lhe que se "tratar de uma disfunção sexual é um grande motivador para outras áreas como a marcação de consultas tabágicas, alterações de modos de vida". Mas, como diz Júlio Machado Vaz, vice-presidente da Sociedade de Sexologia Clínica, "nós, os médicos, não fomos formados para lidar com o prazer com a dor e a morte".

Abordar a sexualidade na saúde pública e familiar é fundamental pois é onde se pode detetar e iniciar o seu tratamento da disfunção sexual. "Na ejaculação prematura estamos a falar da disfunção sexual masculina mais frequente e é normal que inicialmente os homens e os casais se dirijam aos médicos de família" afirma Pedro Vendeira, presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia, Medicina Sexual e Reprodução. "Há mais de dez anos, quando publicamos o EPisex, uma das questões que se colocou foi: gostaria que o seu médico de família abordasse a sua vida sexuale mais de 80% responderam que sim", refere.

 

Saber tratar uma disfunção sexual

Mas para que isto seja uma realidade é preciso ultrapassar as barreiras do que é um tabu social e que pode ser pessoal.

Como refere Carla Veiga Rodrigues "ultrapassar a falta de formação porque quando se abordam casos destes pode-se estar a abrir uma caixa de Pandora que não se sabe resolver". Para Carla Veiga Rodrigues "seria necessária a formação em sexologia dos médicos de saúde pública e familiar para saberem tratar as disfunções sexuais". "Posso ser especialista em medicina geral e familiar sem saber tratar uma disfunção sexual" conclui. José Dias, urologista do Hospital de Santa Maria, interroga-se: "por que é os médicos de medicina geral e familiar não abordam estas questões que são mais importantes para a vida das pessoas do que medir a glicemia?".

Carla Veiga Rodrigues consideram que se deveria formar e explicar aos médicos de família como se deve fazer (como falar e como diagnosticar) e por que é que é importante a sexualidade. "Quando se explica que uma disfunção sexual pode ter uma causa orgânica como uma diabetes, pode ser um problema da próstata ou cardiovascular, ou da tiroide, os médicos olham para a sexualidade de outra forma, pois estas são doenças que consideram graves".

 


Carla Veiga Rodrigues | Médica Interna na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de São Neutel em Chaves    

Os homens com problemas sexuais têm maior mortalidade e morrem mais cedo.

Carla Veiga Rodrigues


 

O LADO DA SEXUALIDADE FEMININA


A sexualidade mudou muito nos últimos anos "e as mulheres tornaram-se muito mais exigentes e diferentes do que eram, até pela mudança de papéis sociais e estão equiparáveis aos homens.


 

Maria do Céu Santo, ginecologista no Hospital de Santa Maria, trouxe a visão mais feminina referindo que "muitas vezes as mulheres não têm tempo no dia-adia e uma ejaculação prematura é fantástica, que é para se despacharem e ficarem mais felizes. Uma percentagem das mulheres à noite finge o orgasmo por causa disso e tenho algumas mulheres na consulta que me dizem "por enquanto convém não tratar porque se não para mim é mais complicado".

A ginecologista afirma que a sexualidade mudou muito nos últimos anos, "e que as mulheres se tornaram muito mais exigentes e diferentes do que eram até pela mudança de papéis sociais e estão equiparáveis aos homens". "Mas não são iguais. Se eu pedir análises hormonais a um homem e a uma mulher e vierem iguais um dos dois está doente, por isso mesmo hormonal mente somos diferentes" diz Maria do Céu Santo, que dá consultas de Medicina Sexual. "O que acontece é que, em média, o desejo sexual numa relação normal e com mais de dois ou três anos é maior na mulher do que no homem. Uma mulher pode ter um orgasmo fantástico, mas depois não quer começar, têm a inércia de começar. Dizem muitas vezes nas consultas: “só me custa começar depois é ótimo” segundo Júlio Machado Vaz, vice-presidente da Sociedade de Sexologia Clínica, "a conceção de prazer na mulher é mais lata do que a do homem. No homem, uma relação que não acabe em orgasmo é sempre uma frustração...".

 


Nuno Tomada |  Urologista na Clínica do Dragão da Saúde Atlântica    

A ejaculação prematura é a disfunção sexual masculina mais prevalente e mais frequente mas infelizmente é das que promove menor procura de serviços de saúde, o que é, de alguma forma, um contra-senso quando temos várias soluções para o problema.

Nuno Tomada


 


Sexo é saúde: ejaculação prematura tem solução

"Se um problema sexual tem de ser considerado doença, a sexualidade tem de ser considerada em termos de saúde pois é um espelho da saúde de homens e mulheres" afirma Carla Veiga Rodrigues, médica Interna no Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de São Neutel em Chaves. "Em primeiro lugar é necessário reconhecer que quando qualquer coisa não está a funcionar como se deseja, porque se unia disfunção sexual não é reconhecida, não existe" diz Júlio Machado Vaz, vice-presidente da Sociedade de Sexologia Clínica.

O conhecido psiquiatra sublinha que "as pessoas têm de compreender que hoje há respostas para estes problemas e que a sua resolução é uma questão de qualidade de vida para eles e para os seus parceiros, independentemente da idade. A porta ideal de entrada para o sistema é uma conversa com o médico de família'. "Somos tão exigentes em tantos aspetos da nossa vida como a profissional, económica, que quem tem má qualidade de vida sexual não procurar ajuda e ultrapassar o problema, sabendo que há terapêuticas para os vários tipos de dificuldades e problemas sexuais, é um contra-senso" analisa José Dias. Urologista do Hospital de Santa Maria.


 


Maria do Céu Santo | Ginecologista no Hospital Santa Maria

"Muitas vezes o que as pessoas têm não é uma disfunção sexual mas uma disfunção de vida." Maria do Céu Santo


 


 

Fonte:
Filipe S. Fernandes in Revista Sábado
05-04-2018