“A forma de se melhorar a eficiência do SNS passa pela aposta na integração de cuidados, pela clarificação do circuito do utente e pelos projetos de proximidade”, considera José Aranda da Silva, diretor da Revista Portuguesa de Farmacoterapia. Aquele farmacêutico, que foi o primeiro presidente do Infarmed, falou à Just News a propósito do evento “Desafios em Saúde: do financiamento à mudança de paradigma”, organizado pela publicação e que decorreu há dias em Lisboa.

Para o presidente da Fundação para a Saúde - Serviço Nacional de Saúde, não há qualquer dúvida: “A agenda política não se tem focado no ponto mais importante da nossa Saúde, que é a articulação e integração de cuidados, facilitando o circuito dos utentes.”

O ex-bastonário da Ordem dos Farmacêuticos sublinha mesmo que “esta temática é fundamental porque, mesmo com financiamento, se não deixarmos de olhar a Saúde de forma verticalizada, não se vai conseguir ter ganhos”.

 

Desafios em Saúde: do financiamento à mudança de paradigma

 

No seu entender, “o doente tem muitas dificuldades em aceder, mas também em circular entre cuidados de saúde primários, hospitalares, continuados” e, apesar de algumas melhorias registadas nos últimos anos, “ainda há muito trabalho a fazer”.

“Não podemos ficar parados, é uma pena que a maior reforma do Estado, que foi a dos cuidados de saúde primários, em 2005, esteja numa fase de impasse. É necessário retomar o ritmo e dar continuidade ao trabalho iniciado”, defende.

 

José Aranda da Silva, diretor da Revista Portuguesa de Farmacoterapia

José Aranda da Silva, diretor da Revista Portuguesa de Farmacoterapia

 

Associada a esta problemática estará ainda a baixa representação dos utentes no sistema: “Na Constituição da República Portuguesa e na Lei de Bases da Saúde está escrito que o sistema de saúde é descentralizado, universal e participativo, contudo, desde a criação do SNS, as pessoas participam muito pouco”.

O diretor da Revista Portuguesa de Farmacoterapia realçou que, além da dificuldade de circulação dentro do sistema, existe outro problema a montante que não é menos importante. “Os níveis de literacia são baixos, é preciso haver um esforço para mudar esta realidade”, observou.

 

A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, e a presidente da Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares, Catarina da Luz Oliveir

A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, e a presidente da Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares, Catarina da Luz Oliveira, marcaram presença no evento

 

Quanto aos cuidados continuados, José Aranda da Silva deixa um alerta: “Com as alterações demográficas que têm levado ao envelhecimento da população, é preciso investir nos cuidados continuados, não apenas através de mais unidades, mas também com novas formas de cuidar, como é o caso do apoio domiciliário por parte de cuidadores informais.”

Acerca deste último ponto, frisa que “o facto de as pessoas poderem ficar em casa com cuidadores não só é mais cómodo para o doente como fica mais barato ao Estado”.

 

Manuel Lopes e Constantino Sakellarides

Manuel Lopes e Constantino Sakellarides

 

Uma visão corroborada por Manuel Lopes, coordenador nacional para a Reforma dos Cuidados de Saúde Continuados Integrados, que foi um dos oradores. “Numa lógica de integração e continuidade de cuidados, há que encontrar formas inovadoras, como através das novas tecnologias, para reinventar os cuidados em casa, que proporcionam mais qualidade de vida, além de serem mais custo-efetivos.”

 

Henrique Botelho, Margarida Santos e Duarte Santos

Henrique Botelho, Margarida Santos e Duarte Santos

 

O evento contou ainda com a participação de outros oradores, como Constantino Sakellarides, coordenador do Programa SNS+Proximidade; Henrique Botelho, coordenador nacional para a Reforma dos Cuidados de Saúde Primários; e Ricardo Mestre, vogal da Administração Central do Sistema de Saúde. Todos foram unânimes quanto à interligação e articulação de cuidados.

 

Alexandre Lourenço, Nélson Pires e Ricardo Mestre

Alexandre Lourenço, Nélson Pires e Ricardo Mestre

 

O painel de comentadores incluiu Duarte Santos, membro da Direção da Associação Nacional das Farmácias; Margarida Santos, co-coordenadora do projeto Mais Participação, melhor Saúde; Nélson Pires, diretor-geral da Jaba Recordati; e Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.

 


 

Fonte: Just News Online | 15-03-2018