31 MAIO 2020

Covid 19: Qual a resposta da indústria farmacêutica?

A crise pandémica veio colocar, mais do que nunca, pressão sobre a indústria farmacêutica, a última barreira de protecção da saúde pública. Procurámos saber como está o sector a reagir no mercado português.

O surto de Covid-19 veio colocar em risco a saúde de todos nós, bem como a saúde financeira de inúmeros negócios de diversos sectores de actividade.

No meio do furacão, a indústria farmacêutica (que não é imune...) teve, à semelhança de muitos outros sectores, que adoptar um novo paradigma de trabalho (à distância) e reinventar o seu modelo de negócio, em áreas específicas. Tudo para garantir uma resposta urgente e eficaz às alterações nos hábitos e necessidades dos consumidores portugueses, particularmente nas primeiras semanas do estado de emergência nacional, em que houve uma corrida às farmácias para abastecimento de medicamentos e equipamentos de protecção específicos.

Entre tudo isso, o sector teve ainda que desenvolver e acelerar os canais de comunicação com o consumidor final, em particular no digital, cumprindo o seu importante papel de informar e esclarecer.

Enquanto não chega a tão esperada vacina para a prevenção da Covid-19, fomos tentar perceber, junto de profissionais de empresas farmacêuticas que operam no mercado nacional, o que está a ser feito (e o que será ainda feito) para salvaguardar ao máximo a saúde dos portugueses e contribuir para o regresso à normalidade, o quanto antes.

A Marketeer colocou três questões aos responsáveis da indústria.

De que modo está a indústria farmacêutica a ser afectada pela Covid-19?

Contrariamente ao que se poderá pensar, a indústria farmacêutica também é afectada pela crise originada pela Covid-19. Não o será na mesma medida de outros sectores, mas também sofre impacto. No mês de Março, sentiu-se um forte crescimento no mercado, alavancado, na minha opinião, pelo receio de eventuais rupturas no normal abastecimento, mas no mês de Maio (assim como em Abril) o mercado deverá decrescer à medida que os consumidores forem percebendo que estes receios são infundados. Desta forma, o mercado normalizará, salvo algumas excepções, na área dos produtos de venda livre, dermocosmética, entre outros.

O confinamento alterou profundamente as prioridades do consumidor e o modelo de atendimento na farmácia. Por outro lado, embora o Governo tenha criado condições para facilitar a dispensa dos medicamentos sujeitos a receita médica - nomeadamente nos tratamentos crónicos -, o acesso aos hospitais, centros de saúde e clínicas privadas está muito condicionado, o que se traduz numa forte diminuição de novos diagnósticos, interrupção de tratamentos, entre outros problemas.

No entanto, nem tudo é mau: há diversos segmentos onde se verifica um crescimento sustentado, assente na necessidade de combate à Covid-19. Além dos produtos directamente relacionados com o tratamento da doença, os tratamentos que nos ajudam a aumentar as defesas face a esta ameaça, como os suplementos de vitamina D ou os probióticos que actuam na nossa microbiota, estão a ter uma forte procura.

 

Que alterações são necessárias ao nível da comunicação?

O confinamento obrigou a uma completa mudança no modelo de negócio. As redes comerciais, elemento central do modelo de negócio da indústria farmacêutica, estão confinadas em casa. Por outro lado, o profissional de saúde alterou profundamente o seu comportamento e as suas necessidades e reorganizou as suas prioridades. Tudo isto forçou a indústria a repensar e a desenvolver novas formas de comunicar com os seus clientes. Nalguns casos, ferramentas e canais, que até aqui eram complementares, tornaram-se centrais. Os conteúdos, hoje mais que nunca, têm de ser relevantes e acrescentar valor.

 

Que medidas de resposta imediata, mas também de prevenção para o futuro, estão a ser tomadas por parte da indústria?

A Covid-19 é sobretudo uma ameaça ao nosso modo de vida. De um momento para o outro, e de uma forma brutal, tomámos consciência de quanto o nosso modo de vida está dependente da nossa saúde e o quão frágil é. Neste contexto, uma vacina representa a esperança de um regresso ao nosso habitual modo de vida. Penso que hoje ninguém terá dúvidas que será a indústria farmacêutica, com a colaboração da comunidade científica, a concretizar a nossa esperança.

 


 

Fonte: Marketeer