29 JUNHO 2020

CEO's Talks by Executive Digest

Trabalho, Hotelaria, Saúde, Telecomunicações, Seguros, Energia, Mercados Financeiros, Farmacêutica e Consultoria. Alguns dos protagonistas destes sectores foram entrevistados pela Executive Digest ao longo de várias semanas. Falaram sobre como a pandemia alterou o funcionamento das empresas que lideram, qual a mensagem que um CEO deve passar aos colaboradores e os desafios do futuro.

 

Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati, destacou a partilha de informação entre todos os colaboradores da companhia.

«Sabemos para onde vamos e porque é que vamos. A empresa não vai cortar custos mas sim potenciar o negócio. Nestes momentos é que o CEO tem de estar muito presente. E tem de explicar aos clientes para onde queremos ir e como contamos com eles.»

«Eu acho que existem dois momentos fundamentais. Os meios de diagnóstico rápido foi um deles. No último coronavírus demorou-se cinco anos até criar uma vacina. Eu acho que até ao primeiro trimestre do próximo ano não vai haver vacina até porque habitualmente os estudos clínicos normais levam quatro a cinco anos. Estamos a fazer estudos clínicos no limite em nove a 10 meses. O estudo clínico é muito bom porque confirma que há eficácia e que não há efeitos secundários piores do que a doença que queremos tratar. Mas acho que antes disso vai aparecer claramente um tratamento que reduz substancialmente a eficácia do vírus e isola-o de tal forma que não tem a capacidade de contágio seguinte. Não vai resolver o problema mas vai dar alguma tranquilidade ao mundo», afirmou Nelson Pires durante a oitava CEO Talks by Executive Digest.

 

Nelson Pires quis deixar claro que a indústria farmacêutica «não vai enriquecer» com a pandemia até porque «seria escandaloso estar a aproveitar-se do momento para o fazer», além de «já ganhar dinheiro nas outras áreas todas». No entanto, o general manager da Jaba Recordati não tem dúvidas: «Percebemos que os cidadãos vão claramente perder poder de compra. O mercado vai cair inevitavelmente 5 a 7% este ano e a indústria não vai enriquecer, pelo contrário, vai viver nos próximos dois ou três anos com as dificuldades normais das empresas a viver num mercado em contração.»

Nelson Pires explicou ainda que no mês de Março, temendo uma ruptura de stock, os consumidores compraram medicamentos para três ou quatro meses. «Agora deixaram de comprar. Se em Março crescemos 40%, em Abril caímos 40%. Portanto, em Maio, vamos cair 10 ou 15%. Porquê? Porque já vemos o efeito do stock que existe mas também o efeito da contração da procura dos cuidados de saúde e da falta de dinheiro das pessoas», acrescentou.

 

Durante a crise causada pela pandemia, a Jaba aplicou três máximas: cuidar dos colaboradores, profissionais de saúde e accionistas.

«Há duas características que as empresas e pessoas têm de ter - resiliência e capacidade de se adaptarem à mudança. Quem for à frente, em vez de um problema, tem uma oportunidade. A minha organização está bem preparada para isso e vamos sair disto mais fortes. Vamos agora sofrer financeiramente durante um ou dois anos mas depois o mercado vai voltar à normalidade».

 

Nesta fase, Nelson Pires esteve sempre presente para dar tranquilidade aos colaboradores.

«As pessoas pensam sempre que vão ser despedidas ou ser substituídas por computadores ou que vamos cortar salários. É preciso que a mensagem seja clara, transparente e transmitida muitas vezes. O meu papel tem sido o de passar as mensagens reais daquilo que vai acontecer à empresa, ao mercado, e quais são as decisões que estamos a tomar e o porquê das decisões que estamos a tomar», explica.

 

«Partilhamos muita informação entre todos os colaboradores da companhia, sabemos para onde vamos e porque é que vamos. A empresa não vai aproveitar-se para cortar custos mas sim para potenciar o negócio. Nestes momentos é que o CEO tem de estar muito presente. E tem de explicar aos clientes para onde queremos ir e como contamos com eles», conclui Nelson Pires.

 

Nota: Veja na íntegra as entrevistas de vídeo CEO's Talks aqui

 


 

Fonte: Executive Digest