O médico cardiologista português Luís Filipe Martins alertou hoje que a hipertensão na Guiné-Bissau é uma "bomba relógio" e que é necessário os guineenses adotarem hábitos de vida mais saudáveis.

O alerta foi feito no I Congresso Luso-Guineense sobre Doenças Cardiovasculares, que decorreu em Bissau, organizado pelo Hospital Principal Militar e a empresa portuguesa Jaba Recordati.

A conclusão do cardiologista português foi feita na sequência de um estudo piloto realizado em agosto e setembro em duas zonas urbanas e uma zona rural do país.

"A realidade que nos aconteceu é pior do que aquela que nós esperávamos. Permiti-nos concluir algumas coisas e a mais dramática é que as pessoas na Guiné-Bissau, quer em dois sítios urbanos, quer num ambiente mais rural, têm valores de pressão arterial elevadíssimos e estão muito mal controlados", afirmou o médico.

Segundo Luís Filipe Martins, os guineenses são hipertensos, a "maior parte não sabem que são e a esmagadora maioria não está tratado".

"Os poucos que estão tratados não são controlados, ou seja é uma bomba relógio", disse, sublinhando que as pessoas e as autoridades do país devem perceber que aquilo vai ser a prioridade, "porque é assim no mundo todo".

O médico português explicou que apesar de a hipertensão ser uma pandemia mundial, na Guiné-Bissau está "completamente descontrolada".

"O drama é que já é responsável por uma grande parte da mortalidade e da morbilidade prematura", disse, aconselhando os guineenses a ter hábitos de vida mais saudáveis, nomeadamente a comer menos sal, fazer exercício físico e uma alimentação mais saudável.

"Neste momento, há uma coisa que se chama globalização e nos sítios mais recônditos do mundo há fast food, bebidas açucaradas e aquilo que antigamente demorava eternidades a transmitir-se, neste momento, a globalização da informação permite o acesso", afirmou.

 


 

Fonte: Lusa | in Diário de Notícias | 02-12-2017