20 NOVEMBRO 2020

Can we trust in brands?

Na sociedade da comunicação híper rápida e global as redes sociais determinam valores e comportamentos. A expansão das fake news dá que pensar, enquanto o medo e a incerteza instalam-se e ameaçam sociedades.

Terá a COVID-19 influenciado alterações do comportamento social, político e económico?

Há uma nova agenda das marcas? Muitas quiseram deixar a sua “marca”, virando-se para um propósito, defendendo ideologias e ganhando “corpo” e voz. Honestidade, consistência, cumprir promessas e assumir responsabilidades devem fazer parte do caminho das marcas com maturidade.

 

Rui Rijo Ferreira

Diretor de Marketing da Jaba Recordati

«A confiança numa marca é resultado de um comportamento consistente e repetido dessa mesma marca. A experiência do consumidor irá determinar o nível de confiança dessa marca, não só para esse cliente individual, mas para todos os que ele irá influenciar com a partilha da sua própria experiência. Numa marca que interfere com a saúde e o bem-estar do consumidor, como sucede com o medicamento, a Confiança é absolutamente um dos seus pilares estratégicos.

No caso do Medicamento de prescrição médica obrigatória, é o profissional de saúde que terá de ter confiança na marca que prescreve. No caso dos medicamentos de venda livre, as companhias têm de criar essa confiança no profissional de farmácia ou no consumidor final.

A marca é o nome do produto.

Tal como uma pessoa que oculta o nome não nos merece total confiança, também um produto que não tem marca não nos deveria merecer igual confiança. Infelizmente, vemos que por diversos interesses, uns claramente economicistas outros menos claros, a apologia dos medicamentos genéricos ou dos produtos de linha branca menospreza a importância da confiança na marca. É um facto que estes produtos não são iguais, mas sim similares, o que não é exatamente a mesma coisa.

Quando consumo um medicamento ou um outro produto de marca, como consumidor sei que todos os elementos que o compõem foram selecionados para que o resultado final esperado seja consistente e de acordo com as expectativas geradas. Se assim não for, a minha experiência vai ser negativa, mas saberei a quem reclamar e responsabilizar. Os danos para a marca poderão ser significativos.

Senão tiver marca, as consequências de uma experiência negativa não vão ter um nome. Os danos diretos no produto serão mínimos, por isso, naturalmente o respetivo produtor não tem o mesmo tipo de preocupações.

 


Fonte: Líder Magazine