02 OUTUBRO 2020

Avaliação à resiliência das empresas

Os desafios do futuro

A crise vai acelerar o ritmo da transformação tecnológica, o que implicará investimentos centrados, sobretudo, na reestruturação de processos produtivos e na área comercial

 

Nelson Pires

O Barómetro da Executive Digest é um excelente indicador do estado de espírito da economia Portuguesa, das expectativas e frustrações dos gestores em relação ao negócio, mas acima de tudo, do futuro do mesmo. E isso mesmo é confirmado pelas respostas aqui apresentadas, nomeadamente sobre a retoma económica, os apoios da União Europeia e a capacidade da administração Pública Portuguesa os implementar de forma rápida.

Quase metade dos gestores entende que não são adequados (ou são pouco adequados) e provavelmente que o obstáculo maior, será a capacidade da sua implementação no terreno. Um pouco como os apoios prometidos em Abril para a tesouraria das empresas que em Junho ainda não tinha chegado, quando devia ser urgente.

Julgo que o maior problema (e baixa expectativa aqui demonstrada) teve a ver com o atraso na discussão dentro da EU, que demorou tempo demais a decidir mas também das competências do nosso País em administrar e definir prioridades para que a retoma se faça rapidamente.

 

Outro ponto, este positivo, tem a ver com o facto dos gestores sentirem agora a necessidade de adaptarem as empresas, quer ao nível do processo produtivo e da área comercial através do aceleramento da transformação tecnológica das empresas.

Talvez com este propósito consigamos aumentar a produtividade da força de trabalho em Portugal. Mas o ponto mais negativo é a expectativa negativa de que a facturação das empresas vai cair mais de - 20% em 2020, ou seja muito acima da expectativado Governo Português que espera uma quebra do PIB abaixo de -10%.

A grande consequência é o aumento do desemprego (e do endividamento gerado pelos apoios sociais),que na minha opinião irá quase chegar aos 20%, quando as "medidas almofada" que o Estado criou, acabarem (como lay-off ou moratórias).

Discordo muito da opinião generalizada que as medidas criadas em Abril pelo Governo Português, de curto prazo, para combater a crise e apoiar as empresas tenham sido "aquém e muito aquém do que é preciso", como é referido pela maioria dos gestores, julgo que não foram aquém, foram as possíveis no cenário político de um governo sem maioria, com uma elevada dívida pública, uma economia de serviços com baixa produtividade, um PIB baixo e um tecido empresarial de PME.

Foram as necessárias para injectar tesouraria, atrasar o pagamento dos débitos e impostos nas empresas bem como reduzir os despedimentos. O problema não foram as medidas criadas, mas a sua aplicação que não foi eficiente, foi fora de tempo e burocratizada.

Portanto nalguns casos, inúteis! Finalmente comentar as aprendizagens da crise, que ainda não passou, mas que reforçou a importância da liderança nas empresas; que a melhor forma de crescer e inovar, é nós próprios tornarmos o nosso negócio obsoleto (antes que a concorrência o faça); que a Europa continuará a ser o grande destino dos processos de internacionalização e exportação de produtos bem como da preocupação genuína dos gestores com os seus colaboradores e clientes (como as duas maiores preocupações eminentes). Sem dúvida ensinamentos bastantes úteis.

 

E recordar que "em tempos de crise, muitos choram e alguns decidem vender lenços de papel"!

 


 

Fonte: Executive Digest