17 DEZEMBRO 2019

Apresentado estudo DISGEN-LIPID

Uma oportunidade para melhorar a prática clínica em prevenção das DCV

Esta é mais uma oportunidade para se incentivar à melhoria da prática clínica pela prevenção das doenças cardiovasculares (DCV).

A mensagem é do Dr. Pedro Marques da Silva sobre o estudo DISGEN-LIPID, no qual se constataram as alterações persistentes do perfil lipídico na prática clínica nos doentes adultos portugueses com dislipidemia em tratamento com antidislipidémicos. Em entrevista ao My Cardiologia, o autor do estudo apresenta os principais resultados da investigação, comparando-os também aos do estudo DYSIS, realizado há 10 anos.

Assista ao depoimento em vídeo.

Tal como acontece noutros países, em Portugual "a DVC mata mais mulheres do que o cancro da mama e do útero juntos", sendo por isso "a principal causa de morte na mulher", alerta o médico, explicando a importância da prevenção das DVC na prática clínica.

Em entrevista ao My Cardiologia, o especialista explicou que um estudo realizado há 10 anos - o DYSIS  - deixou os investigadores "muito preocupados pela aparente não efetividade terapêutica que se conseguiu na prevenção cardiovascular", aponta. Neste sentido, o DISGEN "confirma de uma forma perentória - 10 anos depois - que a larga maioria dos nossos doentes com doença coronária de alto risco cardiovascular não estão controlados em relação ao seu perfil lipídico", destaca.

Durante este período de tempo o médico afirma que se registou uma mudança: "deixámos de ter como primeira estatina a ser usada, como aconteceu no DYSIS, 20 mg de sinvastatina e passámos a ter 10 mg de atorvastatina, mas é exatamente a mesma equivalência de dose", compara.

No entanto, o risco residual persistente é que "não basta tomar a estatina", uma vez que "ela não é milgrosa per si, ela precisa, de facto, de baixar os níveis terapêuticos até aos alvos terapêuticos que se pretendem".

Muitos destes doentes, segundo o médico, têm os triglicerídeos elevados, fazendo com que os "remanescentes de colesterol com particulas aterogénicas continuem a desenvolver doença".

O DISGEN-LIPID foi um estudo transversal, observacional, com 24 centros em Portugal, que incluiu doentes ≥ 40 anos e dislipidemia, com tratamento antidislipidémico havia pelo menos três meses e perfil lipídico nos últimos seis meses. Foram analisados 368 utentes: 48,9% homens e 51,1% mulheres (93,9% na pós-menopausa); 73% dos doentes tinham um risco CV alto ou muito alto.

 


Fonte: My Cardiologia


notícias relacionadas
Disparidade de Género na abordagem dos Lípidos
03 DEZEMBRO 2019
Estudo: Disparidade de Género na abordagem dos Lípidos

Estudo que visa comparar a abordagem dos lípidos entre homens e mulheres com disfunção lipídica documentada, relativamente ao valor basal do colesterol total.

As diferenças de género na abordagem das doenças cardiovasculares tem sido tema de contínuo debate, particularmente quando estão envolvidas formas modernas de tratamento e uso de dispositivos.