18 FEVEREIRO 2021

Agilidade e Inovação

São estas as palavras de ordem dos empresários sobre o que será determinante para o sucesso empresarial em 2021. Um ano em que se prevê a manutenção do nível de investimento, melhorias operacionais e especial atenção à segurança dos trabalhadores.

 

Nelson Pires

General Manager Jaba Recordati

Vou ter "saudades do meu futuro" é a grande conclusão das expectativas deste barómetro. Apenas cerca de 16% dos empresários esperam diminuir o investimento em 2021, querendo investir em eficiência operacional, no crescimento orgânico ou no lançamento de um novo produto. O que significa que existe confiança (provavelmente originada pela chegada da vacina da COVID-19) e que as expectativas para as suas empresas, são melhores do que as que tinham em 2021.

No entanto sabemos também que apesar da confiança, esta está abalada por duas preocupações notórias: a manutenção dos postos de trabalho e a incerteza das previsões económicas e da procura. Ou seja, uma confiança desconfiada. Demonstra que temos uma liderança positiva que quer manter os colaboradores mas que tem dificuldade em fazer o seu plano de negócios.

E claramente contrariado pelos resultados de saúde pública do início do ano, com números muito negativos no controle da pandemia e um confinamento espera do de 30 dias que ninguém antecipava.

Daí a expectativa de que as inúmeras medidas anunciadas, de apoio à recuperação económica, cheguem realmente à economia. E este factor é preocupante, pois conhecemos a incapacidade de execução da administração pública portuguesa, bem como as dificuldades de acesso aos fundos estruturais da dita "bazuca Europeia". Mas para além destas soluções de estímulo, a solução poderia advir pela via da redução da despesa fiscal, que continua altíssima e não privilegia novos investimentos que em muito podem ajudar a economia a crescer.

Por isso mesmo, apesar da confiança inicial, a grande maioria dos empresários estima que a economia vai crescer muito menos do que o Governo, até porque a opinião é de que o efeito positivo da vacina apenas se verificará no final de 2021. Assim nem em 2023 estaremos ao nível de 2019. Portanto apesar de existir confiança e vontade de investir, os empresários consideram que a procura e o crescimento económico vão ser tímidos, pelo que o optimismo empresarial é incerto.

Parece ser claro para a generalidade dos líderes empresariais que a imunidade conseguida através da vacinação só se fará sentir no final do ano ou em 2022

E é mesmo visto como uma oportunidade para repensar o modelo de negócio e tornar a organização mais flexível e resiliente. Em conclusão, este barómetro, é bastante paradoxal, pois afirma o mesmo e o seu contrário. E julgo que este cenário apenas reflecte a dificuldade que os empresários e gestores têm de prever actualmente, em que a única certeza que existe é um mundo de incerteza. Portanto muitas expectativas e nenhuma certeza, o que faz com que todos tenhamos saudades do nosso futuro (para que este presente passe rapidamente).

 


 

Ler artigo na íntegra em Executive Digest


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