01 FEVEREIRO 2017

Acabar com o tabu

As disfunções sexuais masculinas, nomeadamente a disfunção eréctil e a ejaculação prematura, têm uma elevada prevalência a nível mundial. Em 1995, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimava que existiam cerca de 152 milhões de homens a sofrer de algum grau de disfunção eréctil, prevendo que, em 2025, esse número aumente para 322 milhões. E Portugal não é excepção. Em 2011, estimava-se que 500 mil homens portugueses (13% da população masculina) sofriam de disfunção eréctil. Já no que diz respeito à ejaculação prematura, verifica-se uma menor prevalência em Portugal (24%) em relação à média mundial (30%).

A tendência é que a prevalência de ambas as patologias aumente nos próximos anos, em virtude do aumento da esperança de vida, aliado a factores como problemas vasculares, neurogénicos ou hormonais, diabetes, doença cardiovascular ou próstata. Além disso, em Portugal, a disfunção eréctil e a ejaculação prematura continuam a ser temas tabu, e muitos homens sentem-se ainda retraídos na procura de ajuda médica., o que coloca ainda mais entraves.

«Em média, os doentes [portugueses] só recorrem a uma consulta um ano após identificarem a situação, e apenas 25% destes estão tratados. O facto de ser um tema tabu leva a uma barreira ao tratamento», afirma Thordis Berger, directora do Departamento Médico e de Assuntos Regulamentares da Jaba Recordati. A profissional, de origem alemã, aponta ainda a «passividade do médico» como um dos problemas: «Apenas 28% dos médicos questiona proactivamente o doente acerca da sua vida sexual, apesar de 82% dos pacientes considerar que o médico os deveria questionar», refere. No caso específico da ejaculação prematura, apenas 9% dos doentes procura ajuda médica, e, destes. somente 77% são tratados.

Recentemente, a Jaba Recordati lançou no mercado o seu primeiro medicamento - uma gota de aplicação tópica - para a disfunção eréctil, que veio aumentar as soluções disponíveis no mercado. No entanto, a empresa farmacêutica está convicta de que a inovação tem que ser acompanhada por uma maior sensibilização da população, em geral, e da comunidade médica, em particular, para o problema, até porque se trata de um medicamento sujeito a prescrição médica. Por isso, tem levado a cabo um conjunto de acções de formação, junto da comunidade médica, para apresentar a nova opção.

«A companhia tem urna posição clara relativamente a este tema: é um problema de saúde pública grave, de elevado impacto, e que deve ser tratado com rigor pela classe médica», sublinha Rui Rijo Ferreira, director de Marketing da Jaba Recordati.

 

As disfunções sexuais masculinas

A disfunção eréctil é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a incapacidade persistente e/ou recorrente para alcançar e/ou manter uma erecção, que permita urna actividade sexual satisfatória, cujo diagnóstico implica a manifestação dos seus sintomas durante pelo menos três meses. Já a ejaculação prematura manifesta-se se a ejaculação acontece antes da penetração, ou logo no primeiro minuto após a penetração.

 

Primeiro medicamento tópico para a disfunção eréctil

O mercado português dos produtos para tratamento da disfunção eréctil está actualmente avaliado em cerca de 20 milhões de ouros por ano. Mas, apesar de já existirem anteriormente outras soluções no mercado, o novo produto da Jaba Recordati, apresenta-se como o primeiro medicamento de aplicação tópica, ou seja, de aplicação directa no local de acção.

«A nova abordagem terapêutica é inovadora, pois é uma gota de alprostadilo juntamente com um potenciador da sua absorção local, aplicada localmente dentro do meato peniano, com um efeito de acção rápido (cinco a 30 minutos), e com uma duração que pode ir até às duas horas após aplicação», conforme explica Thordis Berger. «Esta nova opção terapêutica apresenta várias vantagens: como se trata de uma aplicação local, não tem uma acção sistémica, logo não tem interacções medicamentosas. Sabemos que os doentes com alguns factores de risco, como a diabetes ou a doença cardiovascular, são polimedicados, e não podem tomar muitas terapêuticas orais. Com este novo fármaco essa situação não se coloca», conforme esclarece a responsável.

De acordo com a directora do Departamento Médico e de Assuntos Regulamentares da Jaba Recordati, existem diversas opções terapêuticas no mercado, desde o aconselhamento sexual até às opções cirúrgicas, mas o tratamento adequado dependerá sempre da(s) causa(s) e da severidade da disfunção eréctil, contrapostas às expectativas do doente.

«As opções são a medicação oral, os inibidores das fosfodiesterase, que actuam aumentando os níveis de óxido nítrico no corpo cavernoso, relaxando assim o músculo liso e favorecendo deste modo a irrigação peniana. Não provocam automaticamente a erecção, favorecendo-a em resposta à estimulação psicológica ou física. Estes fármacos são contra-indicados nos doentes com angina de peito medicados com nitratos e deverão sempre ser usados com precaução, em caso de doença cardíaca grave, acidente vascular cerebral, diabetes não controlada e hipo ou hipertensão arterial», nota.

«Como segunda linha de tratamento existe o tratamento injectável com alprostadilo (não é primeira opção pelo modo invasivo como actua), bem como a administração intra- uretral. Por fim, existe a reposição hormonal, as bombas de vácuo e as próteses penianas, para os casos mais graves e irreversíveis de disfunção eréctil», acrescenta.

Quanto à ejaculação prematura, as opções limitam-se a um único produto, em forma de comprimidos, sendo ainda utilizadas diferentes formas alternativas, mas nenhuma aprovada para esta patologia. Também para este problema específico, a Jaba Recordati prepara-se para lançar, até ao final do ano, um novo produto tópico.

 

Rui Rijo | Director de Marketing da Jaba Recordati

Rui Rijo | Director de Marketing da Jaba Recordati

«O mercado está muito abaixo do seu verdadeiro potencial, com a agravante de os medicamentos consumidos serem utilizados em "off label" (fora das suas respectivas indicações aprovadas), ou então são produtos adquiridos nos mercados alternativos, como a internet ou as sex shops, sem qualquer controlo das autoridades de saúde. Por isso tambem é um mercado difícil de determinar a sua dimensão», sublinha Rui Rijo Ferreira.

 

Causas e consequências

Sendo patologias distintas, a disfunção eréctil e a ejaculação prematura têm diferentes causas, factores e grupos de risco. No caso da disfunção eréctil, há desde logo uma correlação com a idade. Os dados epidemiológicos recolhidos pela Jaba Recordati apontam para uma prevalência de cerca de 41% a partir dos 60 anos, e 53,4% nos homens entre 70 a 80 anos.

No entanto, há vários factores que podem aumentar a exposição dos homens a este problema, como sejam problemas vasculares, neurogénicos, hormonais, doenças cardiovasculares, diabetes ou complicações da próstata. «Existem também os factores psicogénicos, como ansiedade, depressão, sofrimento numa relação, vida sedentária, obesidade e hábitos tabágicos», sublinha Thordis Berger.

A ejaculação prematura, por seu lado, é uma disfunção que atinge todos os estádios etários. «Alguns estudos sugerem uma maior incidência em alguns grupos ou comunidades, mas é claramente uma disfunção que, de uma forma geral, pode afectar o homem desde o inicio da sua actividade sexual até ao final», frisa a directora do Departamento Médico e de Assuntos Regulamentares da Jaba Recordati.

Ainda assim, sublinha, este é um problema que pode ser despoletado pela ansiedade no acto da relação sexual e a preocupação do homem com o próprio desempenho. «As situações mais comuns acontecem em adolescentes, que estão a iniciar a fase sexual, relacionamentos novos ou pessoas que passaram por um relacionamento longo e estão a começar um novo», explica.

«As consequências são devastadoras, pois levam a uma diminuição da auto-estima, quer do doente, quer da(o) parceira(o), e uma deterioração da relação do casal. O sentimento de culpa instala-se em ambos, pelo que a procura de ajuda médica é fundamental para o casal», conclui.

 


 

In Marketeer - 01-02-2017

Por Nelson Pires, CEO da Jaba Recordati e CEO da Recordati UK e Irlanda

Tenho assistido com alguma indignação às avaliações que têm sido feitas em relação ao Governo na gestão da pandemia. E indignação porque:

  • Esta pandemia é uma novidade trágica para todos os países e ninguém estava preparado para ela;
     
  • Esta pandemia é global, afecta todos os países nomeadamente os mais desenvolvidos que mais testam e mais determinam as causas de morte;
     
  • Esta pandemia foi ocultada pela China até final de Dezembro;
     
  • Esta pandemia é mal liderada pela OMS, que não consegue ter uma estratégia para os países;
     
  • Esta pandemia “entope” os serviços de saúde, nomeadamente os hospitalares, impedindo que outras doenças sejam tratadas;
     
  • Esta pandemia não tem uma curva de previsibilidade de risco e gravidade;
     
  • Esta pandemia atinge toda a gente, mas, sobretudo, de forma mais grave a população mais idosa, já por si isolada;
     
  • Esta pandemia surge no tempo das redes sociais e fake news;
     
  • Esta pandemia surge num tempo em que todos temos opinião sobre tudo, achamos que somos epidemiologistas e estatistas para fundamentar as nossas opiniões;
     
  • Esta pandemia surge com um governo que não tem maioria absoluta para poder decidir livremente e necessita de fazer acordos para tomar decisões;
     
  • Esta pandemia surge numa administração pública que não é responsabilizada e não tem capacidade de decisão;
     
  • Esta pandemia surge no tempo do “mau jornalismo” em que a abertura de um telejornal é o falecimento de uma senhora idosa de 97 anos com COVID;
     
  • Esta pandemia é totalmente desconhecida para nós, mas infelizmente também para os cientistas e médicos;
     
  • Esta pandemia não tem nenhuma vacina ou medicamento disponível que a erradique.

Portanto a gestão do Serviço Nacional de saúde foi feita com “navegação à vista”, como qualquer outro teria feito e outros países fizeram. Alguns, como o Reino Unido que mudou da estratégia durante a primeira curva, seguindo uma estratégia de imunização de grupo no início para achatamento da curva depois.

Afirmar que foi mal gerida é não avaliar os dados.

Pois quando comparamos com os restantes países com os quais somos comparáveis (e alguns muito mais ricos que nós), temos: mais testes realizados, menos infectados, menos internados nos hospitais e nas UCIs,  menos mortos por COVID… Ou seja, quando comparamos com o que é comparável, Portugal conseguiu gerir a pandemia até agora, de uma forma eficiente.

Conseguindo ainda não agravar demais a taxa de desemprego e com menor quebra do PIB do que estimado por todos (inclusivé pelo próprio Governo). Portanto, não é correcto afirmar que gerimos mal a pandemia. Gerimos da forma possível, mas muito melhor que outros países. Tendo conseguido “achatar a curva de infectados internados” que podem fazer com que os hospitais colapsem.

No entanto, cometemos erros básicos, alguns por má orientação da OMS, como a utilização das máscaras (que deve ser generalizada para mim), da falta de obrigatoriedade de um modelo de stayaway covid (que para mim devia ser obrigatório, quer seja a app ou uma pulseira, de forma a rastrear os contactos de risco de forma imediata e sem utilizar recursos humanos), da disponibilização imediata de máscaras e álcool-gel no início da pandemia, das conferências de imprensa diárias que já não acrescentam valor, apesar de sabermos as regras de distanciamento e isolamento continuamos a fazer festas privadas, etc etc etc.

Até aqui é injusto dizer que está a ser mal gerida pelo Ministério da Saúde.

O que está a ser mal gerido é que o Estado e o Governo se esqueceram das outras doenças, algumas delas inadiáveis e cujas consequências catastróficas apenas se verão daqui a algum tempo. Mas no imediato, morreram mais 5.000 pessoas por causas não relacionadas com o COVID em apenas 6 meses (mais do dobro do que o número de mortos por COVID) do que nos 5 anos anteriores.

Porquê? Porque consideramos que temos um Serviço Nacional de Saúde (ou seja exclusivamente público) e não um Sistema Nacional de Saúde (que para além de público, deve integrar o social, o privado e o associativo; que juntos representam mais de 50% da saúde em Portugal). Não é á toa que mais 500.000 portugueses fizeram um seguro de saúde no primeiro trimestre de 2020, quando perceberam que o SNS não iria responder ás suas necessidades. E aqui, sim, os governantes geriram mal:

  • Geriram mal porque não integraram em rede os hospitais de forma a ser um algoritmo a gerir para qual hospital se devem dirigir as ambulâncias com doentes COVID e não COVID, sabendo aqueles que têm recursos livres (agora é feito por telefone);
     
  • Geriram mal porque não criaram bolhas de isolamento nos lares;
     
  • Geriram mal porque não recompensaram os profissionais de saúde pela sua acção na 1.ª vaga;
     
  • Porque não reagiram a tempo no ensino, tendo perdido um semestre em aulas remotas que não acrescentaram valor nenhum;
     
  • Geriram mal porque sabiam que o Outono e Inverno (gripe sazonal) iria “entupir” os hospitais públicos e não contrataram meios de diagnóstico, consultas, tratamentos, cirurgias de actos médicos não COVID com estes dois players do mercado (social e privado), que têm capacidade instalada e preços mais baixos que o serviço público. E podemos perguntar: porquê apenas actos médicos não-COVID? Porque o Estado não consegue programar os recursos que irá precisar para tratar COVID, quantos doentes teria de transferir para o privado com COVID. Portanto, nenhum hospital privado vai receber um doente COVID vindo do hospital público, tendo que encerrar uma enfermaria com várias camas pois estes doentes têm que ficar isolados. Mas os restantes doentes pode receber, mesmo sem um planeamento apurado;
     
  • Geriram mal porque emitiram mais de 170.000 “cheques cirurgia” (foram adiadas 152.000 por causa de COVID), mas apenas foram utilizados 29.000. Pois as cirurgias eram marcadas a centenas de quilómetros das residências dos doentes;
     
  • Geriram mal porque acabaram com a renovação automática das receitas médicas electrónicas de doenças crónicas, obrigando o doente a sair de casa e tentar ir ao centro de saúde conseguir a receita, a maior parte das vezes sem sucesso;
     
  • Geriram mal porque pedem às pessoas para ficar em casa, mas não deixam que um doente compre (mesmo tendo receita médica) o tratamento crónico na farmácia para mais de dois meses, obrigando-o a sair de casa;
     
  • Geriram mal porque não treinaram os seus RH, nem lhes deram os recursos tecnológicos, para trabalhar de forma remota;
     
  • Geriram mal porque não existe controlo efectivo dos serviços prestados pela administração pública estando a trabalhar de forma remota;
     
  • Geriram mal porque os recursos humanos que prometeu recrutar em Abril para o SNS ainda não estão a trabalhar (nem nunca vão estar, pois nem sequer vai conseguir recrutar porque as condições são efectivamente más – contratos de quatro meses e baixos salários);
     
  • Geriram mal porque a inovação terapêutica deixou de ser aprovada, dado que todos os serviços públicos da saúde apenas pensam em COVID;
     
  • Geriram mal porque obrigam a um trabalho remoto obrigatório quando todas as empresas e instituições já tinham adaptado as suas organizações a este modelo;
     
  • Geriram mal porque mudaram um secretário de Estado da Saúde no meio de uma pandemia.

 

Geriram mal por muitos motivos, a maior parte por desconhecimento, mas como todos os países e a própria OMS. Mas afirmar que a gestão da pandemia não está a ser bem feita é incorrecto.

Agora podemos sempre afirmar que, se fossemos nós, faríamos melhor. Tenho algumas dúvidas, mas…

Agora certamente se tivessem planeado e operacionalizado melhor durante o Verão, certamente não estávamos a abandonar os cidadãos que não sofrem de COVID nem sequer a ver o sistema hospitalar colapsar, ou os cuidados de saúde primários fechados para os cidadãos que deles necessitam! E as consequências destas decisões apenas “terão eco” daqui a algum tempo!!!

 


 

Fonte: Executive Digest