02 ABRIL 2020

A Vitamina D é fonte de proteção do sistema imunológico

A Vitamina D é fonte de proteção do sistema imunológico com benefícios na redução do número de infeções respiratórias agudas

 

O que é a Vitamina D?

A vitamina D, ou colecalciferol, mais que uma vitamina é uma pró-hormona esteróide que aumenta a expressão dos receptores da vitamina D, sobretudo no intestino delgado, receptores esses que regulam a absorção de cálcio e fósforo no intestino.

Assim, a vitamina D tem como principal função manter a homeostase do cálcio, mas são também atribuídas à vitamina D funções extra-ósseas importantes, graças à ativação de recetores presentes em diversos sistemas de órgãos, nomeadamente muscular, imunitário, cardiovascular e neurológico e com participação na regulação da apoptose, proliferação celular e inflamação1,2,3.

Durante as últimas décadas, estabeleceu-se que o sistema endócrino da vitamina D é operacional em, pelo menos, na maioria dos tecidos do corpo humano,  4estando cerca de 3% do genoma humano regulado, direta ou indiretamente, pela hormona5.

 

Metabolismo

A principal fonte da vitamina D é representada pela formação endógena nos tecidos cutâneos após a exposição à radiação ultravioleta B. 1,6,7 Uma fonte alternativa de vitamina D é a dieta, responsável por apenas 20% das necessidades corporais, mas que assume um papel de maior importância em idosos, pessoas institucionalizadas e habitantes de climas temperados.2

Resumindo o metabolismo da vitamina D, esta é produzida pela pele quando exposta ao sol ou pode ser ingerida na dieta ou como suplemento, e é convertida em 25-hidroxivitamina D (25-OHD, ou calcidiol) no fígado (esta é a forma circulante e a que se doseia no sangue). Por sua vez, a 25-OHD é convertida em 1,25-dihidroxivitamina D (1,25-OH2D, ou calcitriol) no rim (esta é a forma ativa da hormona).

 

Vitamina D e o Sistema Imunitário

A vitamina D têm sido alvo de um número crescente de pesquisas nos últimos anos, incluindo sua interação com o sistema imunológico, o que não é uma surpresa, tendo em vista a expressão do receptor de vitamina D em uma ampla variedade de tecidos corporais como cérebro, coração, pele, intestino, gónadas, próstata, mamas e células imunológicas, além de ossos, rins e paratireoides.8

A vitamina D parece interagir com o sistema imunológico através de sua ação sobre a regulação e a diferenciação de células como linfócitos, macrófagos e células natural killer (NK), além de interferir na produção de citocinas in vivo e in vitro.

Entre os efeitos imunomoduladores demonstrados destacam-se: diminuição da produção de interleucina-2 (IL-2), do interferon-gama (INFγ) e do fator de necrose tumoral (TNF); inibição da expressão de IL-6 e inibição da secreção e produção de autoanticorpos pelos linfócitos B.9,10

Também a evidência do benefício da suplementação da vitamina D na redução do número de infeções respiratórias agudas está em crescimento. Uma revisão da Cochrane demonstra diminuição no número de exacerbações graves de asma, precipitadas por infeções virais do trato respiratório superior em indivíduos suplementados com vitamina D.11

Estudos com indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crónica suplementados com vitamina D também demonstraram menos exacerbações moderadas a severas por diminuição do número de infeções respiratórias.12

 

Causas da carência e recomendações para suplementação de vitamina D

A exposição solar constitui a fonte mais importante de vitamina D, pelo que o moderno estilo de vida nas cidades, com muitas horas diárias passadas em espaços fechados, ou seja, com pouca exposição solar, está a condicionar uma deficiente produção de vitamina D. 

5 a 10 minutos de exposição direta dos braços e pernas produz cerca de 3.000 Unidades Internacionais (UI) de vitamina D3; um protetor solar fator 8 reduz a síntese de vitamina D em 95%; múltiplos estudos mostram que a deficiência de vitamina D é comum em países com muito sol quando a maior parte da pele está coberta por roupa (países árabes, Índia, entre outros).13,14 

De acordo com as normas de orientação clínica da Endocrine Society, a suplementação com vitamina D deve obedecer aos seguintes critérios: 400 UI – 1.000 UI (crianças 0 aos 12 meses); 600 UI – 1.000 UI (1 aos 18 anos); 600 UI – 2.000 UI (19 aos 70 anos); 800 UI – 2.000 UI (acima dos 70 anos).

 

Resumo 

Vitamina D é um nutriente essencial que nosso corpo utiliza em muitos processos vitais. No mundo atual, a depleção dos níveis de vitamina D, constitui um problema de saúde pública, que parece estar a agravar.

É crucial saber-se que o nosso sistema imunitário depende da vitamina D, entre outras coisas. As evidências sugerem que a deficiência de vitamina D pode ter um papel importante na regulação do sistema imunológico e, provavelmente, na prevenção das doenças imunomediadas. 

Garantir níveis adequadas de vitamina D contribui assim para a nossa saúde e bem-estar!

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Sobre a Recordati:

Criada em 1926, a Recordati é um grupo farmacêutico internacional, cotado na bolsa de valores de Milão (Reuters RECI.MI, Bloomberg REC IM, ISIN IT 0003828271), com mais de 4100 colaboradores, dedicada à pesquisa, desenvolvimento, fabrico e comercialização de produtos farmacêuticos.

Com sede em Milão, Itália, a Recordati tem operações nos principais países europeus, na Rússia, outros países da Europa Central e Oriental, Turquia, África do Norte, Estados Unidos da América, Canadá, México, alguns países da América do Sul, Japão e Austrália.

No campo da medicina, a própria organização detém uma ampla variedade farmacêutica, quer sob licença, quer enquanto proprietária, em várias áreas terapêuticas, incluindo uma empresa especializada e dedicada a tratamentos de doenças raras. A Recordati é parceira de escolha para novas licenças de produtos para os seus territórios.

A Recordati compromete-se a pesquisar e o desenvolvimento de novas especialidades com foco em tratamentos para doenças raras. A receita consolidada de 2017 foi de 1.288,1€ milhões, o lucro operacional foi de 406,5€ milhões e o lucro líquido foi de 288,8€ milhões.

 

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1Arnson Y, Amital H, Shoenfeld Y. Vitamin D and autoimmunity: new etiological and therapeutic considerations. Ann Rheum Dis 2007; 66:1137-42. 

2Holick MF, Binkley NC, Bischoff-Ferrari HA, Gordon CM, Hanley DA, Heaney RP et al. Evaluation, treatment, and prevention of vitamin D deficiency: an Endocrine Society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2011; 96(7):1911-30.

3Heaney RP, Horst RL, Cullen DM, Armas LA. Vitamin D3 distribution and status in the body. J Am Coll Nutr. 2009; 28(3):252-6

4Robert P. Heaney,Vitamin D in Health and Disease. Clin J Am Soc Nephrol. 2008 Sep; 3(5): 1535–1541.

5Zittermann A, Gummert JF. Nonclassical vitamin D action. Nutrients. 2010; 2(4):408-25.

6Bringhurst FR, Demay MB, Kronenberg HM. Hormones and Disorders of Mineral Metabolism. In: Kronenberg HM, Melmed S, Polonsky KS, Larsen PR editors. Williams Textbook of Endocrinology, 11 ed. Philadelphia: Elsevier, 2008.        

7Leventis P, Patel S. Clinical aspects of vitamin D in the management of rheumatoid arthritis. Rheumatology 2008; 47:1617-21.  

8Jones BJ, Twomey PJ. Issues with vitamin D in routine clinical practice. Rheumatology 2008; 47:1267-68.

9Lemire JM, Ince A, Takashima M. 1,25-Dihydroxyvitamin D3 attenuates the expression of experimental murine lupus of MRL/I mice. Autoimmunity 1992; 12(2):143-8.          

10Linker-Israeli M, Elstner E, Klinenberg JR, Wallace DJ, Koeffler HP. Vitamin D(3) and its synthetic analogs inhibit the spontaneous in vitro immunoglobulin production by SLE-derived PBMC. Clin Immunol 2001; 99:82-93.

11Martineau AR, Cates CJ, Urashima M, Jensen M, Griffiths AP, Nurmatov U, et al. Vitamin D for the management of asthma. Cochrane Database Syst Rev. 2016;9:CD011511.

12Martineau AR, James WY, Hooper RL, Barnes NC, Jolliffe DA, Greiller CL, et al. Vitamin D3 supplementation in patients with chronic obstructive pulmonary disease (ViDiCO): a multicentre, double-blind, randomised controlled trial. Lancet Respir Med. 2015;3(2):120-30.  

13Zeeb H, Greinert R. The role of vitamin D in cancer prevention: does UV protection conflict with the need to raise low levels of vitamin D? Dtsch Arztebl Int. 2010; 107(37):638-43.

14Alves M, Bastos M, Leitão F, Marques G, Ribeiro G, Carrilho F. Vitamina D–importância da avaliação laboratorial. Rev Port Endocrinol Diabetes Metab. 2013;8(1):32–39.

Referência 058.2020 MP03/2020