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“A disfunção erétil é uma manifestação que perturba de forma séria a qualidade de vida do homem”, começou por salientar o moderador na abertura da sessão. “Atinge atualmente cerca de 500 000 indivíduos em Portugal e tende a aumentar nos próximos anos, como reflexo dos fatores de risco crescentes, mas também do envelhecimento natural da população.

Coube ao Prof. Doutor Pedro Vendeira, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia, Medicina Sexual e Reprodutiva (SPA) abordar as necessidades não satisfeitas no tratamento da disfunção erétil.

 

NECESSIDADES NÃO SATISFEITAS NO TRATAMENTO DA DISFUNÇÃO ERÉTIL

“A disfunção erétil (DE) é uma doença definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a incapacidade persistente ou recorrente para alcançar e/ou manter uma ereção suficiente para uma atividade sexual satisfatória”, explanou. A etiologia desta doença pode ser orgânica ou psicogénica, sendo a primeira a mais frequente.

A DE é um problema global, com uma prevalência mundial elevada. Estima-se que, “em 2025, esta doença afete mundialmente 322 milhões de indivíduos”.

O diagnóstico da DE não é simples uma vez que existem diversas barreiras a uma avaliação adequada deste problema. É um tema delicado que é abordado com muita dificuldade pelos doentes e pelos médicos, que não tendo formação adequada neste tema, também não o questionam. Neste sentido, foi realizado o estudo EPISEX-PT/Masculino, publicado em 2011 nos ISEX Cadernos de Sexologia, que teve como objetivo estimar a prevalência das disfunções sexuais masculinas em Portugal. Foram inquiridos cerca de 1 250 indivíduos do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 18 e 75 anos. No decorrer deste estudo, cerca de 28% dos intervenientes declarou que já haviam sido questionados pelo seu médico sobre a sua vida sexual, embora 80% considerasse que o médico deveria abordar este assunto.
Desta forma, a primeira necessidade não satisfeita identificada nesta área está relacionada com o subdiagnóstico da DE. Habitualmente os médicos não valorizam o diagnóstico desta doença, e mesmo quando esta é diagnosticada, muitas vezes não é tratada da forma mais adequada ou não é tratada de todo. Segundo o especialista, “a tendência é dar ao doente uns comprimidos para tomar antes das relações sexuais e pedir para que volte uns meses mais tarde.” Isto significa que “não há um acompanhamento adequado do doente”.

 

TRATAMENTO ATUAL

É fundamental identificar e tratar as causas “curáveis” da DE, como por exemplo, o hipogonadismo, o traumatismo pélvico, entre outras.

Também é importante implementar mudanças no estilo de vida, com modificação dos fatores de risco e providenciar educação e aconselhamento aos doentes e cônjuges. No entanto, a DE será sempre tratada, independentemente da causa, “de acordo com os critérios de eficácia e segurança dos fármacos, do custo do tratamento e também das preferências do doente/casal”.

Portanto, o melhor aconselhamento vai depender sempre do conhecimento do médico, das opções disponíveis e muito importante, da forma como ele as transmite ao doente e parceira.

Atualmente, os inibidores da fosfodiesterase-5 (PDE5) são o tratamento de 1.ª linha da disfunção erétil. São compostos eficazes, com boa segurança e que apresentam eventos adversos manejáveis e controláveis. Contudo, as taxas de descontinuação da terapêutica com estes fármacos são elevadas e diversos fatores podem contribuir para este facto: as expectativas dos doentes relativas às taxas de resposta e rapidez da resposta não são adequadas; pouca adesão ao tratamento devido a aconselhamento e seguimento insuficiente por parte do médico; preocupação dos doentes em relação à segurança; eventos adversos; perda de interesse no sexo; custo e subgrupos de doentes que são difíceis de tratar (diabetes, patologia cardiovascular). Portanto, é essencial identificar as necessidades e expectativas do doente e parceira e falar com o doente sobre as diferentes características dos fármacos.

Assim, “a segunda necessidade não satisfeita na área da DE é o abandono do tratamento (drop out)”, como resultado da falha de aconselhamento adequado ao doente. É importante investigar então “novas opções de tratamento, com melhor tolerabilidade e associadas a um início de ação mais rápido, para permitir espontaneidade e eficácia, que seriam vantajosas para estes doentes”, referiu. É ainda preciso considerar que as intervenções de psicoterapia complementam este tipo de abordagem permitindo “uma redução dos níveis de ansiedade, uma educação sexual adaptada à faixa etária, e uma melhor formação para a comunicação dos casais”.

As guidelines recentes da Associação Europeia de Urologia (EAU) e da International Society for Sexual Medicine (ISSM) recomendam os inibidores da PDE5 para 1.ª linha terapêutica da DE.

Já o alprostadilo, tanto na versão tópica como na forma intra-uretral, “é muito eficaz e bem tolerado, estando reservado para 2.ª linha de tratamento da DE”.

Em conclusão, a disfunção erétil é uma doença subdiagnosticada e subtratada que tem um impacto negativo na qualidade de vida dos indivíduos/casais. Apesar da terapêutica atual consistir frequentemente em tratamentos sistémicos com inibidores da PDE5, “isto nem sempre reflete a preferência do doente”, rematou.

A comunicação realizada pelo Prof. Doutor Nuno Tomada, responsável pela Unidade de Medicina Sexual do Serviço de Urologia do Hospital de São João, no Porto, teve como objetivo apresentar o Vitaros, novo fármaco aprovado para tratamento da disfunção erétil.

 

“ALPROSTADILO CREME NA 1.ª LINHA DO TRATAMENTO DA DISFUNÇÃO ERÉTIL”

  • Vitaros Indicado para tratamento da disfunção erétil;
  • Nova fórmula tópica de alprostadilo;
  • Aplicação simples e não invasiva;
  • Cada dose destina-se apenas a uma única administração (recipiente descartável);
  • Induz uma ereção normal entre 5 a 30 minutos após administração.<

O alprostadilo é um análogo sintético da prostaglandina E1. O seu mecanismo de ação envolve a ativação da via do AMP cíclico, que induz a vasodilatação dos vasos sanguíneos nos tecidos eréteis dos corpos cavernosos e o aumento do fluxo sanguíneo da artéria cavernosa, causando a ereção peniana. “Em contraste aos inibidores da PDE5, que requerem previamente um estímulo eretogénico, o alprostadilo é um agonista direto que atua de forma independente dos fatores psicológicos e neurológicos envolvidos no processo”, frisou.

O Vitaros é uma nova fórmula tópica de alprostadilo, que permite uma penetração rápida e completa ao nível cutâneo. Esta formulação específica contém, para além do alprostadilo, um potenciador não tóxico, facilmente metabolizado e biodegradável, designado de DDAIP.HCL.
Este composto induz um relaxamento temporário das junções de oclusão (tight junctions) presentes nas células epiteliais, como resultado da sua interação com a região polar da bicamada fosfolipídica da membrana plasmática. Consequentemente, o DDAIP HCL altera o movimento dos hidrocarbonetos lipídicos e intercala-se com as ceramidas cutâneas, “aumentando assim o coeficiente de difusão do alprostadilo na pele”.

O Vitaros permite uma aplicação tópica simples e não invasiva. Para a sua correta aplicação, o pénis tem de ser colocado numa posição ascendente de forma a que o meato uretral fique exposto. De seguida, basta encostar o doseador no local e carregar lentamente no êmbolo, durante alguns segundos, para o creme ser depositado imediatamente na região. O fármaco apresenta um gradiente muito rápido de absorção in vivo no tecido do meato uretral, promovendo uma penetração transdérmica muito eficaz e a consequente passagem do produto ativo para o local onde vai atuar.

“O creme tópico de alprostadilo e a injeção intracavernosa do mesmo composto apresentam parâmetros hemodinâmicos semelhantes.” É possível observar-se que, após a aplicação do Vitaros, “ocorre uma ereção normal e fisiológica dentro de 5 a 30 minutos, podendo o efeito persistir entre uma a duas horas”.

 

EFICÁCIA CLÍNICA DO VITAROS

A eficácia e segurança do Vitaros foram avaliadas em dois estudos clínicos de fase II, multicêntricos, controlados por placebo. Foram incluídos doentes com DE ligeira a moderada (N= 161) e grave (N=142). Cerca de 62% dos doentes analisados apresentavam doença cardiovascular e 49% tinham diabetes.

O endpoint de eficácia primário foi o score do domínio da função erétil (EF) do Índice Internacional de Função Erétil (International Index of Erectile Function-IIEF). Os endpoints de eficácia secundários incluíram outros domínios do IIEF e o score total do IIEF, as taxas de penetrações vaginais baseadas no Sexual Encounter Profile (SEP), a auto-avaliação da ereção do doente (The Patient Self-Assessment of Erection – PSAE) e o questionário de avaliação global (Global Assessment Questionnaire -GAQ).

Um dos estudos demonstrou que, no grupo com DE grave, tratado com 300 µg de Vitaros, as alterações no score do domínio da EF e no score total do IIEF foram significativamente mais elevadas em comparação com o placebo. “Cerca de 83% destes doentes com DE severa mostraram-se satisfeitos com o tratamento (GAQ), com uma melhoria registada nas ereções, em comparação com 26% dos indivíduos do grupo placebo”, destacou.

Em síntese, a análise conjunta de ambos os estudos demonstrou que a dose de 300 µg de Vitaros foi a mais eficaz.

A eficácia deste fármaco também foi posteriormente confirmada em dois estudos clínicos de fase III, randomizados, duplamente cegos e controlados por placebo. Estes ensaios envolveram 1732 doentes, com DE moderada a grave (valor médio inicial de IIEF-EF=13,7), que apresentavam concomitantemente outros transtornos clínicos: diabetes (22%); doença cardiovascular (32%); prostatectomia (12%) e hipertensão arterial (47%). “É de realçar que 16% estavam a ser tratados com nitratos e alfabloqueadores.”

1. NOME DO MEDICAMENTO:

Vitaros 3 mg/g creme.

2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA:

Cada recipiente para utilização única contém 300 microgramas de alprostadilo em 100 mg de creme (3 mg/g).

3. FORMA FARMACÊUTICA:

Creme. Vitaros é um creme branco a esbranquiçado fornecido num AccuDose, um recipiente unidose. O AccuDose é um recipiente constituído por um êmbolo, um tubo, e uma tampa de proteção, fornecido numa saqueta protetora.

4. INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS:

Tratamento de homens = 18 anos de idade com disfunção erétil (DE).

5. POSOLOGIA E MODO DE ADMINISTRAÇÃO:

Vitaros é aplicado na extremidade do pénis. O início do efeito ocorre dentro de 5 a 30 minutos após a administração. A duração do efeito é de aproximadamente 1 a 2 horas. A frequência máxima de utilização é de não mais do que 2-3 vezes por semana e apenas uma vez por período de 24 horas. Cada recipiente AccuDose de Vitaros destina-se apenas a uma utilização única e deve ser devidamente descartado após a sua utilização. A dose inicial deve ser recomendada por um médico. Pode ser considerada uma dose inicial de 300 microgramas.

6. CONTRAINDICAÇÕES:

Hipotensão ortostática, enfarte do miocárdio e síncope; Hipersensibilidade ao alprostadilo ou a qualquer um dos excipientes; Condições que possam predispor para o priapismo; Anatomia anormal do pénis; Doentes propensos a trombose venosa ou que têm uma síndrome de hiperviscosidade; Doentes para os quais a atividade sexual está desaconselhada; não deve ser utilizado para relações sexuais com uma mulher com potencial para engravidar, a menos que o casal utilize preservativo.

7. EFEITOS INDESEJÁVEIS:

Pouco frequentes: Hiperestesia; Tonturas, síncope, hipotensão; Dores nas extremidades; Estenose uretral, inflamação das vias urinárias; Prurido peniano, erupção cutânea genital, dor no escroto, repleção genital, rigidez excessiva, falta de sensibilidade no pénis, ereção prolongada/priapismo; Dor no local de aplicação; Em parceiras mulheres: Prurido vulvovaginal. Frequentes: Erupção cutânea; Dor uretral; Ardor no pénis, dor no pénis, eritema peniano, dor genital, mal-estar genital, eritema genital, ereção aumentada, prurido genital, edema do pénis, balanite, formigueiro no pénis, pénis latejante, adormecimento do pénis, Em parceiras mulheres: Sensação de ardor vulvovaginal, vaginite.

8. DATA DA REVISÃO DO TEXTO

Setembro 2015. Para mais informações deverá contactar o titular da AIM. Medicamento sujeito a receita médica.

224.2016 – MP06/2016 Quem pode beneficiar de Vitaros? Doentes que nunca foram tratados; Doentes que não respondem, não conseguem tolerar ou não aceitam a terapia com inibidor da PDE5; Doentes a tomar outros medicamentos; Doentes com mais de 65 anos; Doentes com DE de ligeira a grave; Doentes difíceis de tratar (com diabetes, doença cardiovascularCV, hipertensão); Doentes com comorbilidades CV tratadas com nitratos; Doentes com hiperplasia benigna da próstata (HBP) tratados com alfabloqueadores.

 

O ALPROSTADILO É UM AGONISTA DIRETO QUE ATUA DE FORMA INDEPENDENTE DOS FATORES PSICOLÓGICOS E NEUROLÓGICOS ENVOLVIDOS NO PROCESSO

A idade média da população estudada foi de 60 anos, e 37% dos indivíduos tinham mais de 65 anos.

Em ambos os estudos, os doentes foram randomizados para receber placebo ou Vitaros nas doses de 100, 200 ou 300 µg durante 12 semanas.

As medidas da eficácia foram baseadas na alteração entre os valores basais e os valores de avaliação final no domínio EF do IIEF e nas questões 2 e 3 do Sexual Encounter Profile (SEP). Adicionalmente, foi avaliado através do GAQ, o número de doentes que manifestou melhorias na ereção no final do tratamento.

De acordo com o Prof. Doutor Nuno Tomada, os resultados dos estudos de fase III corroboraram os resultados dos ensaios de fase II, “com uma melhoria significativa em todos os parâmetros da eficácia no grupo de doentes tratados em comparação com o placebo”. “Mais de metade destes indivíduos reportaram uma melhoria na ereção comparativamente ao placebo (53% versus 20%, respetivamente).” Para uma análise mais detalhada destes dados, os doentes foram posteriormente estratificados de acordo com as suas comorbilidades e com o nível de severidade da DE. Foi demonstrado que as taxas superiores de melhoria clínica significativa foram alcançadas por indivíduos que apresentavam doença cardíaca, hipertensão ou diabetes. Adicionalmente cerca de 50, 40 e 22% dos doentes, com DE ligeira, moderada e grave, respetivamente, demonstraram uma alteração clinicamente relevante no IIEF-EF.

Desta forma, “estes resultados apoiam a eficácia e o valor clínico do creme tópico de alprostadilo numa grande variedade de doentes com DE e com comorbilidades mais difíceis de serem tratadas pelos inibidores da PDE5”.
A eficácia a longo prazo do tratamento com Vitaros foi avaliada num estudo clínico aberto e multicêntrico, no qual o fármaco foi administrado durante um período inicial de 4 semanas na dose de 200 µg e depois ajustado para 100, 200, 300 µg de acordo com a resposta do doente até aos 9 meses de tratamento (2doses/semana).

Este estudo incluiu 1161 homens com DE: 998 indivíduos provenientes dos estudos de fase III e 161 doentes naïves. A maioria dos indivíduos (95%) tinha uma duração média de DE superior ou igual a 12 meses. Este estudo demonstrou também uma “melhoria do IIEF no domínio da função erétil no grupo tratado com 300 µg de Vitaros”. Adicionalmente, no final do estudo, “80,3% e 61,1% dos doentes manifestaram uma resposta positiva” para as questões 2 e 3 do SEP, respetivamente.

 

PERFIL DE SEGURANÇA E TOLERABILIDADE DO VITAROS

Os dados clínicos disponíveis sugerem que o Vitaros é seguro e bem tolerado. Neste sentido, os estudos de fase II e III demonstraram que a maioria dos eventos adversos eram de intensidade ligeira e de curta duração (< 60 minutos).

Estes efeitos foram maioritariamente locais e consistiram em dor genital, ardor e eritema. Ao nível da parceira sexual, as queixas foram raras (ardor vaginal e vaginite) e limitadas no tempo e na intensidade.

“Apesar das terapêuticas atuais para a DE consistirem frequentemente na utilização de inibidores da PDE5, isto não reflete a preferência do doente.” Neste sentido, foi realizado recentemente um estudo que questionou cerca de 152 doentes acerca da sua preferência de tratamento para a DE. Mais de metade dos inquiridos (53%) elegeu a formulação tópica como primeira escolha em relação ao tratamento oral. “Isto é informação muito importante que é necessário ter em conta”, reconheceu.

Resumindo, “o Vitaros pode ser considerado uma escolha terapêutica válida em qualquer tipo de doente afetado pela DE que procura um tratamento eficaz”. Pode ser administrado em homens “que estão em tratamento para diversas comorbilidades e em indivíduos que não respondem ou não toleram os inibidores da PDE5”.


Source : Cision - Medico News - 01/07/2016