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Dizem que o mundo é o vosso laboratório. Que apostas em I&D estão a desenvolver em Portugal?

O mundo e os cidadãos são o motivo pelo qual trabalhamos todos os dias e pelo qual a companhia investe milhões de euros anualmente em I&D. A filosofia da Recordati Group é muito clara e simples, pois tudo o que fazemos. fazemos em prol dos nossos stakeholders. Em Portugal. para além de garantirmos parcerias de fabrico dos nossos medicamentos nas fábricas nacionais. temos vários projetos de I&D. nomeadamente ao nivel de ensaios clínicos a decorrer no nosso pais. Estamos também a estudar um projeto de I&D nacional, temos vários estudos "non profitable" e de autor conduzidos por investigadores nacionais que apoiamos. bem como o apoio a várias associações e sociedades médicas que promovam a investigação. O core da nossa atividade em Portugal está relacionado com o desenvolvimento clínico e informação médica.

 

Quais foram os últimos avanços e em que áreas terapêuticas? Qual a calendarização para a sua entrada no mercado?

As principais áreas terapêuticas e produtos são das áreas cardiovascular. urologia, dor. gastroentereologia, pediatria. O'lts e genéricos, sendo os principais produtos os seguintes: Hipertensão (Zanipressis). Dislipidémia (Livazo®), Urologia (Urorec®). Transact Lat® (Dor). Vitaros® (disfunção eréctil) e Citrafleet® (preparado para a colonoscopia). No entanto os produtos que mais associam à nossa empresa são os de venda livre. como Guronsan® e Microlax®. Os últimos avanços foram precisamente na área da dislipidémia. disfunção eréctil e urologia. No próximo ano iremos ter um novo produto para a área da urologia (ejaculação precoce) e um novo produto para a área da psiquiatria (esquizofrenia).

 

"A descoberta de novos medicamentos é regida por princípios rigorosos de organização e planeamento da metodologia de investigação". De que forma fazem esta monitorização rígida?

A inovação e I&D na área farmacêutica é das mais complicadas no mundo e assim deve ser. Em relação ao processo de investigação é regido por princípios e processos muito bem definidos e controlados que podem levar cerca de 10 anos desde que um conceito terapêutico é descoberto até ao lançamento no mercado. com custos que podem chegar aos mil milhões de dólares. Sendo que as fases de investigação por que um medicamento passa até ser comercializado garantem a eficácia e qualidade do mesmo.

 

A aposta na gestão de recursos humanos altamente qualificados é uma ferramenta de trabalho imprescindível e uma das vossas estratégias para o sucesso da empresa?

Em Portugal empregamos 132 pessoas. fundamentais para o nosso sucesso. Aliás. o nosso sucesso. alinhado com o posícionamento internacional do Recordati Group. assenta em 3 pressupostos: Pessoas, Produtos e Processos.

Jaba Recordati - Queremos contribuir para um melhor estado de saúde das populações

Estes são os "Critical Success Factor" para a obtenção dos nossos resultados e prossecução dos nossos objectivos em realização da nossa missão de "acrescentar mais e melhor vida»!

 

Como descreve e classifica o atual panorama nacional no setor farmacêutico?

O atual do panorama do setor farmacêutico tem sido de alguma estabilidade. com o mercado ambulatório a não crescer e o mercado hospitalar a crescer +7%. resultado da inovação terapêutica que verificamos. No entanto não é um mercado fácil pois as várias entidades não entendem a Industria farmacêutica e o medicamento como estratégicos para a economia nacional. O aumento de 1 ano de esperança de vida resulta em +6% do PIB e redução dos custos em saúde, bem como mais e melhor vida para os Portugueses. No entanto as autoridades insistem em retardar a entrada de medicamentos novos, emitem recomendações terapêuticas sem fundamento científico e apenas com o objetivo de sugerir tratamentos desadequados mais baratos aos cidadãos. promover um mercado de genéricos sem racionalidade, não pagar as dividas hospitalares. o que torna este mercado dificílimo de operar, e totalmente imprevisivel. No entanto e fruto da resiliência das empresas. fazemos um balanço positivo do ano que resultou de alguma estabilidade legislativa em resultado do acordo entre Apifarma e o Governo do qual somos signatários.

 

Quais são os maiores desafios que enfrentam?

Penso que o desafio mais relevante que enfrentamos tem a ver com o peso reduzido do nosso país no mercado farmacêutico global. que pode levar a que medidas economicamente desastrosas tomadas em Portugal façam com que as companhias deixem de operar em Portugal ou. em relação a produtos inovadores, decidam não lançar em Portugal. Sair do mercado Português já aconteceu com algumas empresas e a integração em Espanha é bastante comum nas multinacionais atualmente, com o centro de decisão a ficar dependente de Madrid.

Tudo isto acontece por falta de credibilidade do mercado. pelo baixo valor do mesmo comparado com outros países da Europa e do mundo e finalmente pela falta de gestão estratégica da saúde que resulta num subfinanciamento crónico do Serviço Nacional de Saúde.

 

Temos no mercado medicamentos com um custo baixíssimo. Existe um esmagamento de preços?

Temos os medicamentos mais baratos da Europa mas por outro lado temos dos mais elevados co-pagamentos pelo doente em despesas de saúde. Ou seja a poupança está apenas num stakeholder. o Estado. E não só pela via dos medicamentos genéricos mas também pelas reduções anuais de preço que todos os medicamentos inovadores, sofrem. Acrescido pelo facto de como forma de garantir a sustentabilidade do SNS, desde 2011 que a APIFARMA e as empresas associadas têm concretizado protocolos anuais com os diferentes governos, que permitam ao SNS manter a sua capacidade de fornecer medicamentos, apesar das políticas públicas de redução de despesa do Estado. Nos últimos anos, o valor solicitado às empresas farmacêuticas que aderem aos protocolos é superior a 1% do Orçamento inicial do SNS e corresponde, em média. a cerca de 5% da despesa pública com medicamentos. Este esmagamento de preços leva ao desinteresse comercial das companhias por alguns medicamentos, ao desabastecimento do mercado nacional pois os operadores logísticos preferem exportar os mesmos medicamentos para países com preços mais elevados. bem como à redução de stocks por parte das farmácias; e por ultimo à inacessibilidade das novas terapêuticas que existem no mundo, pois com preços muito baixos as companhias não os lançam em Portugal.

 

A Jaba Recordati apoia financeiramente várias associações de doentes. Quantas contam atualmente com o vosso apoio?

Apoiamos associações de doentes, associações médicas e associações de responsabilidade social. Ao nivel de associações médicas apoiamos várias na organização dos seus eventos científicos. Ao nível de associações de doentes estamos presentes também com apoios financeiros e muitas vezes administrativo. Anualmente investimos mais de 20% do nosso orçamento anual para este tipo de apoios. sem as quais as organizações não poderiam realizar a sua missão!

 

Quais são as expectativas de crescimento para 2018 no mercado nacional e internacional?

Em Portugal atuamos em quatro áreas de negócio: produtos inovadores sujeitos a prescrição médica, genéricos. produtos de venda livre e "orphan drugs". A subsidiária portuguesa foi responsável em 2016 por um volume de negócios de 40 milhões de euros, correspondente a cerca de 3.7% da faturação global do grupo Recordati. 2018 será para nós um ano de crescimento esperado de +5% a nível nacional e o grupo Recordati apresentou já as suas estimativas de crescimento entre 5%a 10%, crescimento esse que assenta não apenas do desenvolvimento orgánico. mas também pela aquisição e lançamento de novos produtos e entradas em novos mercados.

 


 

Fonte: Portugal Em Destaque | 01-07-2017