+351 21 432 95 00



A faturação da farmacêutica portuguesa JABA Recordati cresceu 6% no ano passado, face a 2015, a um ritmo mais de quatro vezes superior ao da economia, para 40,3 milhões de euros, num quadro marcado pela redução continua dos preços dos medicamentos.

Este crescimento é sustentado pela introdução de novos medicamentos e pela aposta em novos mercados, que serão, também, os motores para o desenvolvimento em 2017.

No ano passado, salienta-se o lançamento, em setembro, de um novo medicamento indicado para o tratamento da disfunção eréctil, que, por ser administrado através de um creme, veio revolucionar o tratamento desta condição. Para este ano, a JABA prepara-se para lançar em Portugal mais um produto inovador indicado no tratamento da disfunção sexual mais comum no homem, que afeta um em cada três homens em idade sexual ativa: a ejaculação precoce.

O novo produto, cuja venda estará condicionada a prescrição médica obrigatória, deverá estar disponível no mercado a partir de setembro, será de aplicação local, sob a forma de spray, e custará cerca de 35 euros. Lançado simultaneamente em toda a Europa, o novo fármaco será vendido em embalagens para um mês de tratamento.

Em entrevista ao Jornal Económico, Nelson Pires, diretor-geral da empresa, afirmou esperar “um ciclo de vendas muito lento para o novo produto”. “Por um lado, porque não é comparticipado, e, por outro, porque está indicado para uma condição que para a maioria da população não é vista como doença, tratável com recurso a fármacos”, explicou.

Nelson Pires falou também sobre o medicamento para a disfunção eréctil, lamentando o atraso, por parte das autoridades portuguesas, na aprovação do reembolso correspondente a 37% de comparticipação do preço do medicamento. Este atraso limitou as expectativas de vendas do produto, que ficaram aquém das projeções da empresa de 1,5 milhões de euros, caso fosse comparticipado pelo Estado.

 

Reforçar presença nos mercados africanos

Além dos medicamentos para as disfunções sexuais mais prevalentes no homem, a JABA prepara o lançamento de um outro, disruptivo, indicado no tratamento da esquizofrenia, que estará disponível no mercado ainda este ano e que promete alavancar as vendas da empresa.

Outro dos pilares de crescimento da empresa farmacêutica é a aposta na consolidação da presença internacional, que já é responsável por cerca de 8% da faturação da companhia.

A JABA está presente nos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) e Angola é principal destino das exportações da empresa e o objetivo é manter a esta posição.“[É] um mercado de que toda a gente se queixa, mas que foi onde mais crescemos em 2016, com vendas que atingiram 2,5 milhões de euros, destaca Nelson Pires. A meta para este ano é alcançar um crescimento de 10% nos mercados dos PALOP. Mas sáo sé os próximos passos passam por estender a operação a novos mercados africanos, nomeadamente Mauritânia e Nigéria, sendo que neste último país, a opção vá ser, não uma operação própria, mas o licenciamento de produtos a parceiros locais.

“[Temos] a convicção de que podemos acrescentar valor. Cerca de 60% do vendemos [em unidadesj é produzido em Portugal”, sublinha o gestor

Apesar de integrar uma multinacional, a JABA adquire os seus produtos em Portugal, depois de, em 2008, já sob controlo italiano, ter vendido a fábrica que detinha ao grupo Tecnimede. Tem como fornecedores empresa como a Generis, Azevedos, Basi, Lusomedicamenta e Medinfar. A Recordati representa cerca de 40% dos fármacos que a JABA comercializa.

A opção por adquirir em Portugal, quando poderia optar por outros mercados, muito mais competitivos do que o nacional é justificada por Nelson Pires com a manutenção da indústria e a sua qualidade.

"[Temos] a convicção de que podemos acrescentar valor, ajudando a manter uma indústria que produz de acordo com os mais elevados padrões de qualidade. Cerca de 60% do vendemos em unidades] é produzido em Portugal”, sublinha o gestor.

Em termos globais, a filial portuguesa da Recordati, é responsável por 3,7% da faturação global da multinacional com sede em Milão, Itália, que em 2016 atingiu 1,1 mil milhões de euros.

 

JABA comemora 90 anos de vida

JABA é o acrónimo de José Antórno Baptista de Almeida, farmacêutico na Farmácia Universal, em Usboa, que decide fundar a empresa que leva as suas iniciais e que se dedica, inlcíalmente, ao comércio de medicamentos. Isto aconteceu em 1927, faz agora 90 anos. Produz também alguns medicamentos, com vendas que atingem algum relevo durante a II Guerra Mundial.

Pouco depois, nos anos 50, desenvolve a produção com contratos de licença de fabrico e distribuição com outras empresas e, no inicio da década de 80, constrói uma fábrica na Abrunheira, em Sintra. Esta unidade fabril é reforçada no início do novo século com uma nova fábrica, vocaclonada para o fabrico e embalagem de comprimidos, cápsulas e saquetas (líquidos e sólidos.

Em 2006, a família do fundador - José de Almeida tem a curiosidade de ser avó do ator Joaquim de Almeida vende o negócio ao empresário Joaquim Coimbra que, meses depois, revende-o aos italianos da Recordati. E é já com o grupo transalpino nos comandos que é vendido o setor de produção ao grupo Tecnimode, passando a empresa a comprar os produtos a este e outros fabricantes nacionais de medicamentos.

 


 

Autor: Miguel Múrias Mauritti

Fonte: Jornal Económico Online (O) - Jornal Económico Online- 03-03-2017