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As disfunções sexuais masculinas, nomeadamente a disfunção eréctil e a ejaculação prematura, têm uma elevada prevalência a nível mundial. Em 1995, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimava que existiam cerca de 152 milhões de homens a sofrer de algum grau de disfunção eréctil, prevendo que, em 2025, esse número aumente para 322 milhões. E Portugal não é excepção. Em 2011, estimava-se que 500 mil homens portugueses (13% da população masculina) sofriam de disfunção eréctil. Já no que diz respeito à ejaculação prematura, verifica-se uma menor prevalência em Portugal (24%) em relação à média mundial (30%).

A tendência é que a prevalência de ambas as patologias aumente nos próximos anos, em virtude do aumento da esperança de vida, aliado a factores como problemas vasculares, neurogénicos ou hormonais, diabetes, doença cardiovascular ou próstata. Além disso, em Portugal, a disfunção eréctil e a ejaculação prematura continuam a ser temas tabu, e muitos homens sentem-se ainda retraídos na procura de ajuda médica., o que coloca ainda mais entraves.

«Em média, os doentes [portugueses] só recorrem a uma consulta um ano após identificarem a situação, e apenas 25% destes estão tratados. O facto de ser um tema tabu leva a uma barreira ao tratamento», afirma Thordis Berger, directora do Departamento Médico e de Assuntos Regulamentares da Jaba Recordati. A profissional, de origem alemã, aponta ainda a «passividade do médico» como um dos problemas: «Apenas 28% dos médicos questiona proactivamente o doente acerca da sua vida sexual, apesar de 82% dos pacientes considerar que o médico os deveria questionar», refere. No caso específico da ejaculação prematura, apenas 9% dos doentes procura ajuda médica, e, destes. somente 77% são tratados.

Recentemente, a Jaba Recordati lançou no mercado o seu primeiro medicamento - uma gota de aplicação tópica - para a disfunção eréctil, que veio aumentar as soluções disponíveis no mercado. No entanto, a empresa farmacêutica está convicta de que a inovação tem que ser acompanhada por uma maior sensibilização da população, em geral, e da comunidade médica, em particular, para o problema, até porque se trata de um medicamento sujeito a prescrição médica. Por isso, tem levado a cabo um conjunto de acções de formação, junto da comunidade médica, para apresentar a nova opção.

«A companhia tem urna posição clara relativamente a este tema: é um problema de saúde pública grave, de elevado impacto, e que deve ser tratado com rigor pela classe médica», sublinha Rui Rijo Ferreira, director de Marketing da Jaba Recordati.

 

As disfunções sexuais masculinas

A disfunção eréctil é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a incapacidade persistente e/ou recorrente para alcançar e/ou manter uma erecção, que permita urna actividade sexual satisfatória, cujo diagnóstico implica a manifestação dos seus sintomas durante pelo menos três meses. Já a ejaculação prematura manifesta-se se a ejaculação acontece antes da penetração, ou logo no primeiro minuto após a penetração.

 

Primeiro medicamento tópico para a disfunção eréctil

O mercado português dos produtos para tratamento da disfunção eréctil está actualmente avaliado em cerca de 20 milhões de ouros por ano. Mas, apesar de já existirem anteriormente outras soluções no mercado, o novo produto da Jaba Recordati, apresenta-se como o primeiro medicamento de aplicação tópica, ou seja, de aplicação directa no local de acção.

«A nova abordagem terapêutica é inovadora, pois é uma gota de alprostadilo juntamente com um potenciador da sua absorção local, aplicada localmente dentro do meato peniano, com um efeito de acção rápido (cinco a 30 minutos), e com uma duração que pode ir até às duas horas após aplicação», conforme explica Thordis Berger. «Esta nova opção terapêutica apresenta várias vantagens: como se trata de uma aplicação local, não tem uma acção sistémica, logo não tem interacções medicamentosas. Sabemos que os doentes com alguns factores de risco, como a diabetes ou a doença cardiovascular, são polimedicados, e não podem tomar muitas terapêuticas orais. Com este novo fármaco essa situação não se coloca», conforme esclarece a responsável.

De acordo com a directora do Departamento Médico e de Assuntos Regulamentares da Jaba Recordati, existem diversas opções terapêuticas no mercado, desde o aconselhamento sexual até às opções cirúrgicas, mas o tratamento adequado dependerá sempre da(s) causa(s) e da severidade da disfunção eréctil, contrapostas às expectativas do doente.

«As opções são a medicação oral, os inibidores das fosfodiesterase, que actuam aumentando os níveis de óxido nítrico no corpo cavernoso, relaxando assim o músculo liso e favorecendo deste modo a irrigação peniana. Não provocam automaticamente a erecção, favorecendo-a em resposta à estimulação psicológica ou física. Estes fármacos são contra-indicados nos doentes com angina de peito medicados com nitratos e deverão sempre ser usados com precaução, em caso de doença cardíaca grave, acidente vascular cerebral, diabetes não controlada e hipo ou hipertensão arterial», nota.

«Como segunda linha de tratamento existe o tratamento injectável com alprostadilo (não é primeira opção pelo modo invasivo como actua), bem como a administração intra- uretral. Por fim, existe a reposição hormonal, as bombas de vácuo e as próteses penianas, para os casos mais graves e irreversíveis de disfunção eréctil», acrescenta.

Quanto à ejaculação prematura, as opções limitam-se a um único produto, em forma de comprimidos, sendo ainda utilizadas diferentes formas alternativas, mas nenhuma aprovada para esta patologia. Também para este problema específico, a Jaba Recordati prepara-se para lançar, até ao final do ano, um novo produto tópico.

 

Rui Rijo | Director de Marketing da Jaba Recordati

Rui Rijo | Director de Marketing da Jaba Recordati

«O mercado está muito abaixo do seu verdadeiro potencial, com a agravante de os medicamentos consumidos serem utilizados em "off label" (fora das suas respectivas indicações aprovadas), ou então são produtos adquiridos nos mercados alternativos, como a internet ou as sex shops, sem qualquer controlo das autoridades de saúde. Por isso tambem é um mercado difícil de determinar a sua dimensão», sublinha Rui Rijo Ferreira.

 

Causas e consequências

Sendo patologias distintas, a disfunção eréctil e a ejaculação prematura têm diferentes causas, factores e grupos de risco. No caso da disfunção eréctil, há desde logo uma correlação com a idade. Os dados epidemiológicos recolhidos pela Jaba Recordati apontam para uma prevalência de cerca de 41% a partir dos 60 anos, e 53,4% nos homens entre 70 a 80 anos.

No entanto, há vários factores que podem aumentar a exposição dos homens a este problema, como sejam problemas vasculares, neurogénicos, hormonais, doenças cardiovasculares, diabetes ou complicações da próstata. «Existem também os factores psicogénicos, como ansiedade, depressão, sofrimento numa relação, vida sedentária, obesidade e hábitos tabágicos», sublinha Thordis Berger.

A ejaculação prematura, por seu lado, é uma disfunção que atinge todos os estádios etários. «Alguns estudos sugerem uma maior incidência em alguns grupos ou comunidades, mas é claramente uma disfunção que, de uma forma geral, pode afectar o homem desde o inicio da sua actividade sexual até ao final», frisa a directora do Departamento Médico e de Assuntos Regulamentares da Jaba Recordati.

Ainda assim, sublinha, este é um problema que pode ser despoletado pela ansiedade no acto da relação sexual e a preocupação do homem com o próprio desempenho. «As situações mais comuns acontecem em adolescentes, que estão a iniciar a fase sexual, relacionamentos novos ou pessoas que passaram por um relacionamento longo e estão a começar um novo», explica.

«As consequências são devastadoras, pois levam a uma diminuição da auto-estima, quer do doente, quer da(o) parceira(o), e uma deterioração da relação do casal. O sentimento de culpa instala-se em ambos, pelo que a procura de ajuda médica é fundamental para o casal», conclui.

 


 

In Marketeer - 01-02-2017