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É minha convicção absoluta que a fantástica revolução tecnológica a que estamos a assistir só tem um precedente histórico comparador, na revolução industrial dos séculos XVIII e XIX. Com consequências na sociedade, nomeadamente no mundo laboral, de forma profunda.

A universidade de Oxford avisa que 57% dos empregos dos países da OCDE estão em risco de automação. Também o World Economic Forum confirma esta tendência, estimando que a automação irá destruir mais de cinco milhões de empregos até 2020, ou seja, não é num futuro "Não pretendemos super homens, mas apenas pessoas que saibam maximizar o que tecnologia e automação trazem" distante e longínquo, mas é já ali ao virar da esquina. O que significa que ao contrário dos avanços anteriores, os avanços da computação destroem mais empregos do que criam. E esta é uma tendência irreversível. Provavelmente apenas a iremos perceber daqui a 20 ou 30 anos, mas que está a acontecer, está! Vai alterar profundamente a forma como vemos o mundo do trabalho, a forma como lideramos as empresas, o perfil que queremos de trabalhadores, a forma como remuneramos o trabalho, os vínculos contratuais, entre outros. E aqui sim se verificará a verdadeira revolução, pois as competências que as empresas irão pretender para os seus trabalhadores serão de dois tipos: competências hard (técnicas) para os colaboradores indiferenciados; competências hard e soft para os seus líderes. Sendo as competências soft mais fundamentais, a resiliência e a capacidade de adaptação. O Mundo exigirá trabalhadores que valorizem mais o emprego sem vínculos contratuais longos, remunerados variavelmente de acordo com os resultados, sem um posto fixo de trabalho, com capacidade de integração num mundo em que "máquina e homem" convivem de forma equilibrada. Os seus líderes terão de ser bons técnicos, para compreender o mundo das máquinas: mas bons líderes com capacidade de gerir sob pressão, de adaptar as organizações e as pessoas a novos métodos de trabalho, com capacidade de antever essas mesmas mudanças e ser proativos. de encontrar novos meios para medir produtividade e resultado, de motivar os colaboradores num cenário de incerteza, de dinamizar capital e acionistas para os investimentos brutais que esta mudança origina, de encantar cidadãos/clientes para este mundo novo que se avizinha.
Não pretendemos super homens.
mas apenas pessoas que saibam maximizar o que tecnologia e automação trazem: integrando o fator humano necessário no processo de gestão.
A máquina sempre será mais barata como fator de trabalho do que o homem, no entanto não consegue ainda competir em todas as funções que este executa como trabalhador.
O líder que se pretende neste cenário, é aquele que maximiza ambos, em cada uma das suas vertentes. Para isso precisa de competências hord e soft bem desenvolvidas, orientadas para gerar valor em concorrência cooperativa! Em suma um "admirável mundo novo", que irá destruir muitos mas também criar novos líderes. Pois existe ainda uma grande diferença entre máquina e homem, que é a capacidade de gerir a emoção como oportunidade e fator de motivação dos vários stakeholders para os objetivos que se pretendem atingir. E isso, apenas os líderes visionários têm !!!!

Nelson Pires -Director Geral Jaba Recordati 

 

Source : CISION - Revista Pessoal - 01/12/2016